Vitória (ES), edição de 11 de agosto de 2006    
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas de CD       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
A arte imita a vida



Felicia Borges




  
Foto: Divulgação
  
A Cia. Capixaba de Comédias encerra neste final de semana a apresentação do espetáculo teatral "Morto por 30 dias" no auditório da Escola de Teatro e Dança Fafi. A peça trata da temática do processo de criação de um texto teatral, com toda a problemática inerente a tal atividade, e da relação entre autor e personagem.

Essa é uma questão que também faz parte do ofício do autor e diretor da peça, Alvarito Mendes Filho, que também atua no espetáculo. "Trato muito do meu próprio trabalho como autor de peça e a gente faz uma saudável brincadeira sobre isso. Há uma série de reflexões sobre o próprio trabalho do autor, se ele deve ter liberdade para fazer o que quer com o personagem ou se deve respeitá-lo", diz Alvarito.

Na comédia, enquanto escreve uma peça, o autor entra em conflito com os personagens que se recusam a agir do modo indicado no roteiro que está sendo escrito. Em determinado momento, os personagens matam o autor, sob o pretexto de estarem defendendo o direito de serem livres e fazer o que bem entendem. "Os personagens não aceitam a forma como a peça está sendo narrada, concebida. E esse conflito vai crescendo até que no final se tem uma surpresa", fala.

"Esse conflito é do gênero. A peça é do gênero dramático, em que o autor parece que some e o personagem tem praticamente uma vida autônoma. Mas o autor, na verdade, permanece presente, o que gera o conflito, já que muitas vezes ele quer fazer o personagem agir da maneira dele e não como ele quer", explica Alvarito.

"Morto por 30 dias" foi escrita em 1993 e venceu, no mesmo ano, o concurso de dramaturgia promovido pelo então Departamento Estadual de Cultural, hoje Secretaria de Estado da Cultura, sendo o oitavo texto do autor premiado em concursos. O texto, porém, permaneceu inédito, ou seja, não foi encenado, até 2006, quando, com o apoio da Lei Rubem Braga, da Prefeitura de Vitória, chega ao palco.

Alvarito conta que, para escrever a peça, buscou inspiração em várias fontes. Na obra do dramaturgo italiano Luigi Pirandello, em uma notícia de jornal, de um caso ocorrido em Colatina, e numa peça de fantoche de Érico Veríssimo, que fala sobre o criador e a criatura, por exemplo.

O espetáculo entrou em cartaz no último final de semana e faz as últimas encenações no auditório da Fafi, no Centro de Vitória, nesta sexta-feira (11) e domingo (13), sempre às 20h. As sessões que acontecem no espaço da escola são gratuitas e os ingressos devem ser retirados no dia da apresentação, a partir das 13h, na recepção da Fafi. O espaço tem capacidade para 70 pessoas.

Para os próximos meses, "Morto por 30 dias" já tem temporadas marcadas em três teatros da Grande Vitória. De 16 de setembro a 8 de outubro vai estar no Teatro Municipal de Vila Velha. No primeiro final de semana do mês de novembro, dias 3, 4 e 5, o espetáculo volta a Vitória no Teatro Carlos Gomes, e em dezembro, em três finais de semana (dias 1, 2 e 3, 8, 9 e 10 e 15, 16 e 17) no Teatro Galpão, na Reta da Penha.

Ficha técnica

Texto e direção: Alvarito Mendes Filho
Elenco: Alvim Barbosa, Danielle Leonel, Edwaldo Almeida e Alvarito Mendes Filho
Produção Executiva: Alvim Barbosa e Gelda Anselmo
Contraregras: Joãozinho
Realização: Cia. Capixaba de Comédias


 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico