A terceirização chegou também à faixa portuária, depois de tomar conta de todos os outros setores de trabalho. Vale lembrar que os sindicatos da área portuária foram criados sob incentivo dos empresários e do governo. Na época, como os movimentos dos portos eram irregulares, menos serviços, o trabalhador preferia trabalhar noutras áreas mais rendosas e com serviços mais constantes.
Sendo assim, por aquele tempo os sindicatos da orla portuária surgiram para quebrar o galho dos empresários, fornecendo a mão de obra constante. Isto também permitiu que eles garantissem salário ligeiramente melhor. Eles trabalhavam praticamente por produção. No que tange ao Espírito Santo (vamos ficar por aqui), a criação de novos portos e a chegada das transnacionais resultaram num aumento imenso de trabalho.
Compensou para o lado do trabalhador. Como o relação de trabalho era especializada, melhorou bastante o salário. Agora chegou aos portos a mentalidade da mais valia, o capitalismo selvagem se fazendo presente. Eles estão tentando quebrar a estrutura sindical portuária. As Docas (elas cuidam da parte portuária mas, como de costume, estão sempre do lado dos patrões), que gerenciam a parte logísticas dos portos, querem terceirizar a mão-de-obra dos portos.
Mas os sindicatos portuários são diferentes de outros grandes sindicatos (vou citar somente metalúrgicos, ferroviários e bancários) e vão resistir. Ou melhor, vão sair para o pau. Eles não vão acompanhar o medo dos outros sindicatos.
A terceirização é cruel. Principalmente no Espírito Santo, onde as empresas que terceirizam mão-de-obra sãos as que mais lucram. A Companhia Vale do Rio Doce, no último semestre, lucrou R$ 6,1 bilhões. Mesmo ganhando toda essa grana à custa dos trabalhadores, já terceirizou quase todo o campo ferroviário.
Os sindicatos portuários têm mais que endurecer mesmo e enfrentar com o instrumental de que dispõe o trabalhador. A começar pela greve. O capitalismo só sente dor no bolso quando mexem com o seu lucro. Espero que a reação dos sindicatos portuários possa também encorajar os demais. Quem sabe, até encorajar os demais sindicatos, cujas categorias estão em pleno processo de degradação exatamente por falta de combate. Chegou a hora do confronto e da solidariedade da classe trabalhadora no Espírito Santo. Espero.
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