Jamais, em tempo algum, uma comissão parlamentar de inquérito do Congresso atuou de forma tão clara, transparente, objetiva e abrangente na investigação de fatos delituosos envolvendo parlamentares e ex-parlamentares como esta que vem apurando o chamado escândalo das sanguessugas.
Presidida por um dos deputados federais mais atuantes e respeitados da atual legislatura, o petista fluminense Antônio Carlos Biscaia, a CPI reuniu indícios e provas - testemunhais e documentais - que darão ao plenário das duas Casas plenas condições de punir e afastar da vida pública todos os envolvidos, mais de um terço da totalidade dos congressistas.
Está sendo igualmente de grande importância a atuação dos sub-relatores, que subsidiaram o impecável relatório final, a cargo do senador Amir Lando. Graças a um deles - o também deputado fluminense Fernando Gabeira (PV) - descobriu-se a conexão entre a compra das ambulâncias, com dinheiro do Mbnistério da Saúde, e a de veículos para o programa de inclusão digital do Ministério de Ciência e Tecnologia, pasta entregue ao Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A metodologia adotada nos dois casos era a mesma: apresentação de emendas ao Orçamento da União. Gabeira descobriu que as irregularidades envolvendo as verbas do Ministério de Ciência e Tecnologia para o programa de inclusão digital eram facilitadas pelo aparelhemento da pasta, totalmente dominada por militantes do PSB.
Assim como não poupou ninguém, a CPI soube inocentar aqueles contra os quais não havia provas ou mesmo indícios de envolvimento. Caso dos deputados capixabas Marcelino Fraga e Feu Rosa, do PP, e Renato Casagrande, do PSB.
Uma CPI sem meias palavras ou meias verdades - eis como se pode qualificar o grupo de senadores e deputados que investigou e está triturando as sanguessugas.
É neste contexto de clareza e transparência que Gabeira vem à cena para dizer que o ex-deputado José Carlos da Fonseca Jhúnior (PSDB), o Zé Carlinhos, não tem como escapar da puinição, ante as provas que contra ele foram reunidas e que vão ser entregues à Justiça Eleitoral.
Se insistir em sua candidatura, afirmou Gabeira, Zé Carlinhos será impugnado. E, se conseguir escapar da impugnação, por meio de alguma filigrana jurídica que lhe permita o registro de candidato, tera o mandato cassado caso seja eleito.
O conselho de Gabeira é que Zé Carlinhos desista da candidatura. Isso é mais que uma simples sugestão ao candidato. É um pedido de respeito ao eleitorado, que terá seu voto tornado sem efeito prático se for dedicado ao candidato neo-tucano.
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