No desespero para conseguir licença ambiental para seus projetos de expansão, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) está bombardeando os capixabas com propaganda. A empresa se vale de todas as mídias para buscar seduzi-los.
Nas imagens que passa na televisão, a impressão que a empresa deixa é de asséptica, que jamais lançou no ar uma única micropartícula de poluente.
As pesquisas realizadas com seriedade apontam que a CVRD está à frente de todas as poluidoras da Grande Vitória: responde por 20-25% dos poluentes do ar na região. Na degradação ambiental da Grande Vitória, a CVRD, CST e Belgo lançam, só no ar, 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) de poluentes.
Não é para menos a participação da CVRD, considerando que sua produção de pelotas de ferro em sete gigantescas usinas foi de 27,8 milhões de toneladas de pelotas de ferro em 2005.
Nos projetos da empresa, sua 8ª usina produzirá sete milhões de toneladas de pelotas por ano, o que seria a maior unidade do chamado Complexo de Tubarão, e uma das maiores usinas deste tipo no mundo.
Como se fosse pouco, a CVRD quer ainda aumentar a produção das usinas I e VII em 4,5 milhões de toneladas anuais, o que elevará a produção do Complexo de Tubarão em 11,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, totalizando 39,3 milhões de toneladas de pelotas de ferro por ano nesta região.
É claro que a CVRD jamais assume que a poluição que provoca exigiu dos capixabas após 35 anos de operação, em 2006, o gasto de R$ 2.275.000.000,00 para tratamento de doenças.
Jamais assume que seu lucro líquido foi de R$ 10,4 bilhões só em 2005, 61,7% superior ao de 2004, e R$ 6,1 bilhões só no primeiro trimestre de 2006, às custas principalmente dos capixabas. A CVRD foi enxugada e praticamente doada à iniciativa privada, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso: foi vendida em 1997, por US$ 3,338 bilhões.
Não, para consolidar sua imagem entre os menos avisados, a CVRD é de uma pureza total.
Quer, assim, contar com algum apoio para expandir sua produção e obter mais lucro às custas dos capixabas.
Os mais informados lembram que a própria CVRD assumiu que tem enorme passivo ambiental, ao anunciar agora que investirá R$ 221 milhões no controle da poluição do ar nos próximos três anos. Reconhece que é falha em 13 pontos, inclusive na manutenção dos seus 16 precipitadores eletrostáticos, e que deve a instalação de cinco novos precipitadores nas suas usinas de Tubarão.
Também reconhece que não enclausura as áreas de transferência de minério em correias transportadoras; e que não faz a aplicação contínua do supressor de poeira para controle das emissões no manuseio de pelotas de minério.
E que terá que investir R$ 2 milhões no aumento do cinturão verde no entorno de suas usinas de Tubarão, buscando reduzir o arrasto das partículas de minério pelo vento. Gastará R$ 630 mil, junto ao governo do Estado, para instalação de uma rede de monitoramento da poeira preta, como são conhecidas as partículas sedimentáveis e de maior tamanho que a empresa lança no ar. A rede deste tipo que existia foi desativada pela Seama, atual Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em 2002.
Mas apesar de tudo isso, para o grande público, só mesmo belas imagens, com discurso de empresa social e ambientalmente responsável.
Mas o papo furado da CVRD não convencerá ninguém, nem servirá de aval para o licenciamento de seus novos projetos, pois os capixabas estão alertas.
Vamos continuar dizendo não à expansão da empresa, pois ninguém agüenta mais tanta poluição!
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