O presidente do Sindicato da Construção Civil do Espírito Santo (Sindicon-ES), Aristóteles Costa Neto (foto), está animado com as perspectivas de financiamento para o setor imobiliário. Mesmo na ausência de definição normativa sobre o crédito consignado para a casa própria, Costa Neto acredita que o Espírito Santo abocanhará grande parcela do crédito reservado à construção Civil em 2007.
Em viagem a São Paulo, o presidente do Sindicon obteve a informação de que o Banco do Brasil entrará no mercado de crédito imobiliário, o que despejaria dinheiro no mercado. "Quanto mais dinheiro no mercado, mais barato esse dinheiro fica para o consumidor", disse. Na prática, a oferta maior de crédito reduz os juros e amplia os prazos para pagamento.
Como o Espírito Santo já passa por uma fase excepcional no setor, a tendência é que a trajetória seja positiva. Quanto ao anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre crédito consignado (com desconto em folha) para a casa própria, Costa Neto avisa que é difícil mensurar seu impacto em um mercado tão aquecido como o capixaba, mas deixou claro que todo crédito impulsiona a atividade econômica.
Para que essas novidades surtam resultado no Espírito Santo, Costa Neto salienta que é preciso modificar rapidamente a cultura do consumidor capixaba de financiar imóveis diretamente com as construtoras. Quando isso ocorre, os prazos são reduzidos e a empresa acaba se descapitalizando, o que inibe novos investimentos. Financiamentos bancários oferecem prazos de pagamento que se estendem por até 20 anos com juros de menos de 1% ao mês, além de prover recursos à vista para o setor, abrindo caminho para novos empreendimentos.
"Estamos em um momento ímpar no Brasil para o crédito imobiliário. São R$ 20 bilhões entre recursos de bancos privados, estatais e recursos diretos da União. O estado que tiver demanda ganhará maiores parcelas deste recurso", disse, acreditando que o Espírito Santo está habilitado para isso.
Além disso, a construção civil produz um efeito cascata na economia. O setor tem poder de alavancar a economia e a cadeia produtiva, movimentando o setor terciário, gerando emprego e renda. Por isso, representantes da construção civil de várias partes do País, inclusive do Espírito Santo, apresentarão proposta aos candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckimin (PSDB), desafiando o futuro governo a investir no setor com vistas a impulsionar o crescimento.
O último Censo Imobiliário do Sindicon-ES confirmou que a Grande Vitória mantém a trajetória de crescimento dos últimos anos. A Capital lidera o número de construções com 49% da oferta na metrópole, seguida de perto por Vila Velha, que concentra 45%. Jardim Camburi é o destaque e seus imóveis tiveram valorização da ordem de 20%, com índices de comercialização acima de 70%. Em toda a Região Metropolitana, 309 obras estão em andamento, o que totaliza 14.581 unidades (apartamentos) a serem entregues.
Déficit habitacional
Apesar dos benefícios econômicos, o urbanista Fernando Betarello alerta que a medida não é capaz de reduzir as áreas de bolsões de miséria e as condições precárias de moradias que circundam a Grande Vitória. O Estado concentra cerca de 2% do déficit brasileiro, cerca de 160 mil unidades das cerca de 8 milhões que o país precisa produzir.
Ele explica que esses financiamentos não chegam às populações de menor renda, sem emprego formal, que vivem em áreas favelizadas precisando de acesso à moradia bem estruturada. "O que reduz a favelização é emprego, renda e programas habitacionais", disse. São necessários ainda projetos de urbanização e regularização fundiária.
Costa Neto concorda com o urbanista e afirma que o problema precisa ser enfrentado por políticas públicas, já que a população que entra nesta estatística tem renda familiar entre um e três salários mínimos, não sendo alcançada pelos financiamentos. É preciso subsídio explícito e recursos diretos da União para resolver o problema.
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