Um dos sub-relatores da CPI dos Sanguessugas, o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) esclareceu na manhã desta sexta-feira (11) que ex-deputados envolvidos no escândalo das ambulâncias, como José Carlos da Fonseca Júnior (PSDB), não tiveram seus nomes citados no relatório da CPI porque, não tendo imunidade, estão sendo investigados diretamente pela Justiça com base na documentação das investigações parlamentares. Gabeira informou à reportagem de Século Diário que dossiês sobre cada ex-parlamentar envolvido no chamado esquema das ambulâncias serão enviados à Justiça Eleitoral.
Caberá ao Ministério Público Eleitoral pedir a impugnação do registro de candidatura dos envolvidos. Mesmo que consigam ser candidatos e eleitos, o mandato deles será cassado. "Não há escapatória para José Carlos pelo que consta nos arquivos da CPI. Caso seja eleito, ele será impugnado", garantiu Gabeira. Diante das circunstâncias, o deputado fluminense do Partido Verde acha melhor Fonseca Júnior desistir da candidatura.
Figurando entre os envolvidos no esquema e apontado em uma lista do Ministério Público Federal (MPF), Zé Carlinhos, como é conhecido, juntamente com outros 80 parlamentares e ex-parlamentares, foi denunciado por corrupção ativa, fraude em licitação e formação de quadrilha. Assessores do ex-parlamentar teriam recebido dinheiro de propina em suas contas bancárias.
Zé Carlinhos trocou de partido este ano para viabilizar sua eleição. Com o fim da era Gratz, passou a ser o principal cacique do Partido da Frente Liberal (PFL) no Espírito Santo. Concorreu pelo PFL a deputado federal na eleição de 2002, no bojo de uma das campanhas mais vistosas do Estado, e obteve quase 100 mil votos. Mas não conquistou o mandato, porque seu antigo partido não fez legenda para eleger um deputado federal. Por conveniência, então, virou tucano.
Certamente seria um dos deputados federais eleitos no chapão que junta em coligação PFL, PSDB, PMDB e PTB. As previsões são de que essa coligação poderá preencher metade dos cargos federais do pleito proporcional. Ao mudar de partido, Zé Carlinhos demonstrou oportunismo e inteligência, mas não terá como escapar da impugnação.
Zé Carlinhos tem uma trajetória polêmica na vida pública. Diplomata, foi eleito deputado federal em 1998. Ainda de posse do mandato, foi convidado e aceitou ser secretário de Fazenda do governo José Ignácio Ferreira, condição que o levou a enfretar diversas denúncias do Ministério Público Estadual (MPE).
Sanguessugas
A quadrilha era chefiada pela família Trevisan Vedoin, do Mato Grosso. A organização tinha membros infiltrados na Câmara dos Deputados e no Ministério da Saúde e o contato com as prefeituras era feito por José Wagner dos Santos, que prometia agilidade na liberação das ambulâncias, com menos burocracia e mais rapidez.
Com a concordância da administração municipal, Wagner acionava a assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, que tinha a função de aprovar o convênio e facilitar a liberação dos recursos. Ela é a testemunha chave das investigações e fornece informações em troca de redução na pena através do benefício da delação premiada.
A empresa Planan, de propriedade da família Trevisan Vedoin, montava as ambulâncias para entrega. O superfaturamento chegava a 110% por veículo e as unidades eram entregues sem os equipamentos necessários.
Segundo a Polícia Federal, mais de mil veículos foram entregues e R$ 110 milhões movimentados desde 2001. Os intermediários recebiam propina para fazer o serviço.
A investigação foi iniciativa do próprio governo federal que, através da Controladoria-Geral da União, alertou a Polícia Federal, que iniciou as investigações em 2004 com o auxílio da Receita Federal.
Desde o dia 4 de maio estão presos os ex-deputados Carlos Rodrigues, o Bispo Rodrigues (PL-RJ) e José Ronivon Santiago (PP-AC).
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