Vitória (ES), edição de 11 de agosto de 2006

Sanguessuga: Marcelino cala e
Malta resolve processar o relator



Renata Oliveira
Foto capa: Apoena

Os dois capixabas incluídos na lista de congressistas a serem investigados pela CPMI dos Sanguessugas tiveram reações diferentes sobre o episódio. Enquanto o deputado federal Marcelino Fraga (PMDB) preferiu não comentar o relatório apresentado nesta quinta-feira (10), o senador Magno Malta (PL) adotou a postura de que o ataque é a melhor defesa e decidiu processar o relator.

O deputado e o senador estão em cenários diferentes, o que pode explicar as diferentes reações. Candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, Marcelino evitou criar mais polêmica. O deputado, que é presidente regional do PMDB, ficou na lista porque o dono da Planan, o empresário Luiz Antônio Vedoin, disse que havia negociado emendas com Alexandre Sardemberg, que
se apresentou como assessor de Marcelino.

O deputado negou que Sardemberg trabalhasse com ele. Mas não teve jeito, foi incluído na lista. Aliás, desde o início do processo Fraga foi o que menos se manifestou sobre o caso. Ao contrário dos deputados do PP, Nilton Baiano e Feu Rosa, que buscaram esclarecer a situação na imprensa, Marcelino, nesse período, preferiu concentrar-se na articulação de sua defesa.

Magno Malta usou a tribuna do Senado novamente para fazer sua defesa. Ele questionou os critérios usados pelo relator para incluir seu nome na lista. Malta foi acusado de receber um carro em troca de emendas para compra de ambulâncias. Malta disse que recebeu o carro por empréstimo do deputado matogrossense Lino Rossi. Versão que foi confirmada por Rossi.

Em seu pronunciamento, nesta quinta-feira (10), Malta foi veemente ao afirmar que não se encontra em nenhum dos três critérios adotados no relatório parcial do relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas, senador Amir Lando (PMDB-RO). Por isso, decidiu e anunciou que processará criminalmente o relator.