"A mais alta das torres começa no solo"
(Provérbio chinês)
O deputado estadual Paulo Foletto (PSB) está encerrando seu primeiro mandato e busca a reeleição para a Assembléia. Confiante no desempenho de seu partido na eleição deste ano, ele faz uma análise do cenário político do Espírito Santo, destacando, entre outros pontos, o apoio do ex-secretário de Agricultura Ricardo Ferraço ao candidato a senador Renato Casagrande. "O Ferraço abraçou a candidatura do Renato Casagrande com muita clareza", garantiu.
Foletto diz também confiar no prestígio político do governador Paulo Hartung e em seu poder de articulação para viabilizar a eleição de Casagrande, embora admita que a disputa com Max Mauro, do PDT, será dura.
Muito ligado a seu reduto eleitoral, o município de Colatina, Foletto, que disputará votos sobretudo com o presidente da Câmara de Vereadores colatinense, Genivaldo Lievori (PT), aposta na campanha do prefeito Guerino Balestrassi a seu favor para manter-se no exercício do mandato.
- Como o senhor vê o quadro eleitoral deste ano?
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Foto: Ricardo Medeiros
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- Eu vejo na questão majoritária, pelo bom desempenho que o governador Paulo Hartung teve nesses três anos e meio, até nos surpreendendo, eu como deputado, você como cidadã e acho que quase todos os cidadão capixabas, acho que até o próprio governador se surpreendeu. Isso se deu em função da qualidade administrativa que ele tem. Ele veio cultivando isso ao longo da vida dele. Eu, que não convivi com esse processo político capixaba, ficava muito mais localizado lá em Colatina, mas agora a gente começa a ver a história e percebe que ele vinha se preparando para chegar nesse ponto. É extremamente hábil na composição política. Alguns exemplos, vocês acompanharam aí... o Cláudio Thiago, que sai da oposição de repente de vira líder do governo. Robson Vaillant... um dia está se posicionando de forma crítica em relação ao governo, outro dia aliado incondicional. Essas coisas precisam de habilidade para se conseguir. Ele é muito bom administrador, extremamente capaz na articulação política. E deu sorte, assumindo uma dívida de R$ 300 milhões junto ao governo federal na antecipação de royalties de petróleo. Parecia até que sabia que teríamos um aumento na produção, conseguiríamos pagar essa dívida e já ter retorno, quer dizer, o governo já voltou a receber royalties. Eu acho que essa conjunção de fatores, fazendo com que o setor privado tivesse um investimento muito alto no Estado neste momento, trouxe um momento para o governador muito saudável. É claro que existe oposição e eleição não tem definição antes da hora. Mas acho que o nosso adversário, e vou dizer nosso adversário, por ser base de governo, o Sérgio Vidigal, ainda não... mesmo sendo bem testado, bem avaliado na Serra, não conseguiu ainda tamanho para enfrentar o governador Paulo Hartung nesse processo.
- Ele não teria amplitude eleitoral ainda para esse enfrentamento?
- É isso aí.
- Na eleição para o Senado parece estar a disputa mais acirrada da eleição. Como o senhor avalia o candidato do seu partido? O senhor acredita que Renato Casagrande, sozinho, consegue enfrentar o candidato da oposição, Max Mauro, ou será preciso a interferência do governador Paulo Hartung?
- Olha, eu acho que o governador já adotou o Renato como candidato dele. Você pode ver que mesmo o governador mantendo a agenda administrativa ele tem feito campanha no final de semana e às vezes até numa agenda administrativa ele está sempre posicionando o Renato, dizendo que o Renato é o candidato dele, e eu vejo nos secretários uma disposição muito grande também. O Ferraço (Ricardo Ferraço, candidato a vice na chapa de Hartung) abraçou a candidatura do Renato com muita clareza, muita disposição e disponibilidade de tempo.
- O fato de ter um candidato único em seu grupo também favorece esse apoio incondicional...
- O próprio governador trabalhou isso, quando num momento disse que não via problema de Luiz Paulo e Renato serem candidatos e à frente procurou fazer com que o governo tivesse uma candidatura única. Acho que a eleição vai ser difícil, mas que vamos vencer. Até porque para esse momento o eleitor vai fazer a leitura da necessidade de termos um senador mais dinâmico. O ex-governador Max Mauro tem um passado puro, na sua postura com relação ao combate às anormalidades administrativas, e isso é uma grande credencial dele, mas eu vejo o Renato com mais dinamismo. O Renato é um político que está mais antenado, mais globalizado, não tem jeito. Eu vi o Renato saltar do avião e entrar no golzinho dele ene, ene vezes e se embrenhar nesse interior do Espírito Santo afora, atendendo a pleitos de um prefeito lá... no extremo norte, lá no extremo sul e que muitas vezes nem pareciam ser atrativos para um deputado federal. Nem em casa às vezes ele conseguia chegar. E ao mesmo tempo, como ele conseguiu se articular bem... Passou a ser uma cabeça pensante no Congresso. Ser liderança nacional do PSB. Liderança nacional esperta, à vontade de ser, né... E ele conseguiu ser por dois anos seguidos. E olha que o PSB tem lideranças nacionais de expressão. Além de participar das decisões do Congresso. Lembra da articulação que ele fez para a eleição de Aldo Rabelo presidente da Câmara, disputando com o Severino? Então, ele demonstrou ser um político ágil, moderno, ter muita disposição para luta, tem uma interlocução muito boa com o governo Lula. Há uma previsão de que Lula vença a eleição, pelo menos o quadro hoje é esse. Em sendo assim, o Renato agrega para o Espírito Santo nesse momento e é o candidato do governador. Então, juntando isso tudo, respeitando demais o ex-governador Max Mauro, acho que vai ser uma boa briga e nós estamos aí para enfrentá-la.
- E no grupo do governador Paulo Hartung, o PSB também tem um papel fundamental que é o de manter o palanque do Lula no Espírito Santo. E o Renato Casagrande vai ser o grande representante deste palanque. Como o senhor vê isso? É um palanque para dois presidenciáveis, porque de um lado o Renato segurando palanque do Lula e de outro o Ricardo Ferraço, coordenador da campanha do Geraldo Alckmin.
- Eu acho que a eleição presidencial vai ficar em segundo plano no Estado, nesse caso. Acho que nesse caso... Eu já disse na entrevista que estou vendo o Ricardo Ferraço abraçar a candidatura do Renato, de uma forma que eu não esperava que ele fosse se integrar. Hoje o Ricardo é um dos grandes articuladores da campanha do Renato. O Ricardo fez uma administração na Secretaria de Agricultura de deixar saudade e levar à inveja muita gente. Quando Ferraço assumiu a Secretaria de Agricultura o orçamento para agricultura era de 2% do Orçamento do Estado. Ele transformou a agricultura em pauta na imprensa, fez o Idaf voltar a agir, fez o Incaper voltar a produzir, deu liberdade para os técnicos do Incaper voltarem a produzir. Quer dizer, tudo o que ele fez para ele, eu estou vendo que ele está colocando na campanha do Renato. E aí a questão nacional está separada, cada um com suas preferências. Não vejo nenhum problema. Isto já está conversado, as questões já estão definidas. Mais importante: no Espírito Santo, nós estamos com um foco único. Acho que não teremos problemas com relação a isso, mesmo Ricardo sendo condutor da campanha do Alckmin e o Renato sendo a melhor bandeira do Lula no Estado, na questão Senado, na questão governo, nós estamos fechadinhos com o mesmo foco.
- Agora vamos falar sobre o norte. Como está a disputa por lá? O senhor é do grupo do prefeito de Colatina, Guerino Balestrasse...
- Sim.
- E tem um outro candidato forte no grupo, que é o presidente da Câmara de Colatina, Genivaldo Lievore, do PT. Como o senhor vê essa disputa dentro do mesmo grupo?
- Não é disputa dentro do mesmo grupo. O único pequeno mal-estar que no começo da campanha aconteceu foi porque logo após a eleição do Guerino ele nos pediu para levar, nós temos dois vereadores, ele nos pediu para levar o PSB para eleger o presidente da Câmara, que é o Genivaldo. Nós precisávamos eleger o Genivaldo pela qualidade que ele tem, pela parceria que ele tem com a administração, pelo passado dele. Uma pessoa íntegra do ponto de vista político. E ele nos disse que não pretendia disputar a eleição de deputado estadual, estava disposto a discutir a eleição de prefeito lá na frente, já que é o segundo mandato do Guerino. Por contingências pessoais, partidárias, ele foi convidado a disputar a eleição de deputado estadual e isso criou um certo mal-estar. Ainda... nos cabos eleitorais, nos partidários, ainda tem algumas coisas que a gente deve superar durante a campanha. Exemplo: nós vamos fazer palanque juntos. Estamos na mesma coligação, vamos fazer palanque juntos. A decisão é: o prefeito é meu eleitor, pede voto para mim e liberou o pessoal que trabalha na administração que é partidário do Genivaldo para pedir voto para ele. E aí eu quero deixar bem claro. Nem na outra eleição, nem nessa a prefeitura vai mudar seu comportamento e sua postura para os candidatos. O que foi programado de obras, o que está sendo feito, não vai se acrescentar um saco de cimento, um desvio na rua, um paralelepípedo... fora do que foi programado. Nós não fizemos isso na minha eleição passada e não será feito agora, tá? Acho que isso acrescenta para a nossa cidade e cria uma cultura de administração de qualidade na região, que nós ansiávamos há muito. Eu nem vou dizer que é copiando a atuação do governo do Estado porque nós começamos, o Guerino começou lá um pouco antes. É claro que conversou muito com o Paulo (Hartung), o Paulo era senador e ajudou muito ainda, né? Mas nós estamos fazendo a coisa de forma muito semelhante. Não vejo problema, a não ser em alguns cabos eleitorais. Volto a esclarecer: o Guerino vai me apoiar, acabou de falar isso domingo no lançamento da minha candidatura, tem falado nas reuniões de secretariado, o candidato dele sou eu, o candidato da administração sou eu. Quem do PT estiver na administração tem a liberdade de pedir voto para o Genivaldo. Fizemos um mandato muito claro com relação a Colatina e eu acho que a população tem dado retorno, os números são iniciais ainda, mas temos uma certa, uma boa aceitação na opinião do eleitor colatinense. Eleição é eleição. Nós temos 10 candidatos em Colatina, né? O mandato amplia a base. Nós fizemos um trabalho em torno dos 10, 12 municípios em volta e a gente vai continuar conversando. O foco do mandato é a região noroeste e inserir nos grandes temas estaduais aqui na Assembléia.
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Foto: Ricardo Medeiros
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- E o grupo do deputado federal Marcelino Fraga? Lá ele vai para a disputa com a mulher dele, Rosana Fraga. Como o senhor vê esse quadro lá?
- Acho que ela vai aproveitar o recall que ela teve na eleição de prefeita, e isso vai dar a ela... Acho que ela entrou na disputa por causa disso, mas não vou me ater a analisar a candidatura do grupo do Marcelino, não. Até porque nós temos muitas divergências no processo de como administrar. O que nós pensamos para a cidade, na postura, tá entendendo? Nós estamos trabalhando para qualificar a gestão pública, profissionalizar a gestão pública, valorizar o dinheiro público, e a gente não vê muito isso do lado de lá, não. Então, não vou me...acho que não vou comentar muito sobre isso, o jeito como eles fazem e o que querem para a região.
- E no Estado, o senhor citaria nomes de destaque no PSB, de uma forma geral? Como o senhor avalia que está o PSB para a eleição de deputado estadual?
- Olha... nos temos por aí, assim nesse balanço inicial, que as pessoas comentam, né?... cinco ou seis deputados com condições de disputarem a vaga. Só do PSB, fora os do PT, do PL. Em cada partido são dois deputados com mandato. Dois do PT, dois do PL, dois do PSB, só o PCdoB não tem. E mais aí uns dois em condições de chegar. Então acho que nós temos aí, há uma previsão de seis vagas nessa coligação, podendo chegar a sete. Os mais otimistas dizem que podemos chegar a oito. É claro que vai depender muito do desempenho daqueles que estão lá fazendo um trabalho visando a uma próxima eleição... de repete você conta que esse indivíduo vai ter cinco, ele tem oito, nove mil votos, e aumenta a legenda e puxa mais gente...