Vitória (ES), edição de 03 de julho de 2006    
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Flip



Vítor de Azevedo Lopes* [excepcionalmente nesta semana]
Atualizado toda quarta-feira, às 16 horas

Aproveito o espaço destinado à coluna de literatura do Erly Viera Jr. para poder escrever um pouco sobre a edição 2006 da Festa Literária Internacional de Paraty, Flip, que aconteceu entre os dias 09 e 13 de agosto, na homônima cidade do sul do Rio de Janeiro.

@@@Parati foi invadida por turistas de várias partes do globo. O português, o inglês e o espanhol eram os idiomas mais comuns pelas ruas do centro histórico, totalmente preservado e organizado. Tamanha invasão de turistas tem como conseqüência os preços no local. Tudo é muito caro.

  
Foto: Rodrigo Melo
  
@@@Já no dia de abertura, diversos escritores estrangeiros podiam ser vistos circulando anonimamente pelas ruas da cidade, como a célebre jornalista norte-americana Lillian Ross, que conversava com todos os presentes e após muito caminhar, sentou-se na sala de imprensa e ditava textos para que seu filho enviasse em forma de e-mail. Ross ficou encantada ao saber que nos País ainda há uma família imperial. Procurou saber todos os detalhes e anotava tudo em um bloquinho.

@@@A Nobel de literatura Tony Morrison também foi figurinha fácil nas ruas difíceis de caminhar.

@@@O show de abertura da baiana Maria Bethânia lotou a Tenda Matriz e também a praça onde estava o palco. As milhares de pessoas que não conseguiram ingressos puderam a assistir ao vivo e tête-à-tête ao show da cantora. Porém, como únicas novidades, a leitura de textos de Jorge Amado.

@@@As obras de Jorge Amado, homenageado do ano, passaram mesmo em branco. pouco se falou nele e pouco dele foi visto pela cidade. Único destaque mesmo ficou por conta da mesa que reuniu Myriam Fraga, Alberto da Costa e Silva, Eduardo de Assis Duarte.

@@@Antes que esqueça. A Flip é festa mesmo. Pouco se falou em livros por lá.

@@@ Quem apareceu durante dois dias de estudos dentro da Oficina de Jornalismo foi o cineasta João Moreira Salles, um dos nomes por trás da revista Piauí, que chega ao mercado brasileiro em outubro. A Piauí bancou a oficina comandada por Silvio Ferraz e algumas mesas da Flip.

@@@A fiscalização municipal estava implacável. Era quase impossível ver vendedores informais pelas ruas. Mas poeta que é poeta (ou diz ser) sempre dá um jeito. A cidade foi invadida por poetas dos quatro cantos do país. A maioria abordava o público perguntando: "Você gosta de poesia?". Haja paciência.

@@@Era fato. Bastava o escritor ser carismático na palestra, lendo, inclusive, trechos de sua obra, que as vendas na livraria do evento eram garantidas.

@@@Livraria era o que faltava na cidade. Nenhum sebo pôde expor seu acervo durante a Flip. Livros mesmo, só os novos e com a tabela das editoras.

@@@O poeta inglês - que recusou o título Oficial da Ordem do Império Britânico - Benjamin Zephaniah foi um dos principais nomes do evento. Após uma crítica explanação durante sua fala, apresentou ao público local trechos de seus poemas performáticos. Foi tão bem aceito que as vendas na livraria aumentaram.

@@@Política foi o tom da Flip. Na mesa mais aguardada do evento, o polêmico jornalista e eleito um dos cinco maiores intelectuais da atualidade Christopher Hitchens, mostrou-se favorável às investidas de Israel contra o Líbano e chegou a criticar a platéia, que aplaudia tudo o que ele dizia. Foi vaiado.

*Vítor Lopes é editor do Caderno Atrações

Clique aqui e acesse o Arquivo da Coluna de Literatura

E-mails para o colunista: erlyvieirajr@hotmail.com


 

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