O
take é um plano-seqüência de duração suficiente: sejam três segundos, sejam dez minutos, sempre é o tempo bastante daquelas imagens. Nada há que se cortar; nada precisa ser acrescentado para lhes dar razão.
Tomado como gênero, ele se caracteriza pela apurada precisão semântica. Se o filme de longa-metragem pode ser comparado ao romance, o
take é como um haiku. Sua economia rítmica serve à preservação de uma densidade formal inerente à captura da realidade - proporções poderosas porque frágeis, porque à beira da carência, que a mínima modificação destruiria por completo.
Do mesmo jeito que um cristal enterrado possui simetria definitiva, o
take já está pronto no material bruto de gravação. Toda edição necessária para compô-lo é anti-montagem: o trabalho de retirar impurezas do seu redor, de modo que o essencial sobressaia, mas tomando o cuidado de não cortar demais e danificá-lo no processo.
Nesse sentido, o
take se dá como apreensão fugaz do mundo, verso repentino anotado em um guardanapo de bar. Trata-se de uma inspiração, porém mediada, já que se confunde com o flagrante - e se perderia para sempre, não fosse a disponibilidade de um aparelho de captura eletrônica.
Por isso, se torna pensar-em-vídeo (e não com, ou
por-meio-de), processo típico de uma subjetividade ciborgue, gênero possível graças à popularização de dispositivos portáteis de videografia.
Saiba mais!
Clique aqui e acesse o Arquivo da Coluna de Cibercultura Gambiarra
E-mails para o colunista: gabriel.menotti@gmail.com
|