Vitória (ES), edição de 14 de julho de 2006    
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Calypsooooooo



Da Redação


Em texto publicado no dia 23 de abril em seu blog pessoal, o jornalista e crítico musical Pedro Alexandre Sanches (CartaCapital e ex-Folha de São Paulo) faz uma defesa apaixonada da Banda Calypso. Entendo o motivo!

"banda calypso, "volume 8" (produções calypso) - a burguesia nacional, dentro dela setores-chave, er, "intelectualizados" da academia ou do jornalismo musical (alô, pas!), segue comandando a aversão agressiva contra trabalhos como o desses tecnobregas do pará. a questão se traveste de estética, embora entre os críticos ninguém nunca explicite muito bem quais são os, er, "pecados" estéticos da cafonália popular brasileira - no caso de joelma & chimbinha, há temas simples e repetitivos, vocais precisos embora melosos, temática superficial entre a animação da dança feliz & o romantismo melancólico (pós)iê-iê-iê, ritmo frenético no triângulo brasil-caribe-latino-américa... a pergunta é: por que um som tão direto e despretensioso teria o poder de afetar, irritar e ameaçar tanto assim os setores burgueses que seguram a sociedade a freio? uma tentativa de resposta: atrás do trio elétrico da censura estética a quem ouse criar e produzir e se comunicar nos modos "bregas", segue uma série de carros alegóricos típicos do subdesenvolvimento e da arrogância dos estratos mais, er, "de cima" da sociedade brasileira: rancor e intolerância (não vou usar desta vez o termo-clichê "preconceito", ok? ops, usei...) contra o diferente em termos de classe social, região, estética não musical (já reparou o visual e os quilinhos a mais dos calypso? você não agüenta, não, ô, fragilidade?), arbítrio, cotas que os "ricos" de espírito e/ou de matéria acreditam piamente ter sido instituídas pela própria providência divina. pois sim, o som do calypso vem dizer que NÃO com muito topete & ciência de direitos civis igualitários - e diz gostoso, sem muxoxo, sem legitimar o chororô dos não-me-toques, sem "tomar o lugar" (eta, expressão careta...) de ninguém, sem deixar dor de ouvido
após uma audição tão despretensiosa quanto o próprio som. abaixo as ditaduras."

Clique aqui e acesse o blog do Pedro Alexandre Sanches


 

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