Aqui, ali e acolá, já se pode enxergar sinais de início de um ciclo virtuoso de investimentos no Brasil. Um ciclo que poderá, até, contrariar vaticínios pessimistas sobre as possibilidades do Brasil caminhar para um ciclo de desenvolvimento sustentável, depois de muitos anos de baixo crescimento.
As principais alavancas para a formação e construção deste ciclo de investimentos vêm de origens distintas, públicas e privadas. A novidade é que eles não envolvem os (baixos) investimentos previstos no orçamento do governo federal. São eles, principalmente: a poupança institucional dos fundos de pensão; a poupança de investidores externos; os investimentos dos estados brasileiros; e os investimentos de empresas estatais com a Petrobras e a Eletrobrás.
No que diz respeito à poupança institucional, a novidade é a mudança do portfolio de investimentos dos fundos de pensão. Hoje, dois terços do patrimônio de R$ 340 bilhões dos fundos estão aplicados em títulos de renda fixa.
Com a tendência de queda dos juros - e com o amadurecimento da cultura das parcerias público privadas no país, conjugada com as necessidades/oportunidades de investimentos em infra-estrutura -, os fundos já começaram a mudar de portfolio e distribuir suas aplicações de forma mais equânime - na direção de investimentos produtivos.
Esta poderosa alavanca já é responsável pela criação de vários fundos de investimentos em infra-estrutura. As fundações (Funcef, Petros, Previ e outras) já destinaram R$ 4 bilhões para a formação de quatro fundos já em operação: Brasil Energia; Infra Brasil (com o BID); AG Angra Infra (com a Andrade Gutierrez e a Angra Partners), e Darby Brazil Mezanino (montado por Nicholas Brady).
Através deste fundos, já começam a ser viabilizados importantes investimentos em infra-estrutura, nas áreas de energia, transportes, petróleo e gás, mineração e outros. Agora, no mercado de investimentos institucionais, já se difunde a idéia de que é preciso desenvolver e apresentar novos projetos na área de infra-estrutura. Bom sinal.
Enquanto isto, vários estados brasileiros fizeram ajustes fiscais e começam a colocar de pé vários projetos de parcerias público-privadas, nas mais diversas áreas.
Estados como São Paulo, Minas Gerais e Ceará, já seguidos por outros, estão propondo projetos que englobam investimentos diversos com o formato de PPP's - desde a montagem de um campus universitário (Universidade Estadual de Minas Gerais), à construção de Centros de Convenções (Ceará). No Espírito Santo, o Centro de Convenções e Eventos do novo aeroporto de Vitória também vai ser realizado através de PPP.
No que tange à atração de investimentos internacionais, a mera perspectiva do Brasil entrar para o clube dos chamados "investment grades" está atraindo fundos de investimentos internacionais e empresas multinacionais para investirem no Brasil.
Aqui, por exemplo, o etanol é a vedete que atrai investimentos para uma cadeia produtiva que engloba compra de áreas, açúcar, álcool e logística (galpões, portos, dutos e outros).
Depois, vem o "boom" do mercado imobiliário brasileiro, a partir da abertura do capital de quatro grandes construtoras (Cyrela, Gafisa, Rossi e Company) e das mudanças jurídicas que agora garantem mais segurança ao sistema imobiliário e protegem o dinheiro dos investidores. O número de negócios deve bater recordes já em 2006. A indústria de empreendimentos residenciais e comerciais "deve movimentar neste ano cerca de 60 bilhões de reais, valor quase 80% superior às receitas registradas cinco anos atrás" (EXAME, 10/05/06).
Por último, mas não menos importante, deve-se mencionar os significativos investimentos de estatais como a Petrobras e a Eletrobrás. Só os investimentos já previstos pela Petrobras nas Bacias de Campos, Espírito Santo e Santos, terão efeitos multiplicadores duradouros e pertinentes na cadeia produtiva e nas regiões onde eles vão acontecer.
São dados de realidade. Se, ao lado disto, o Banco Central continuar na tendência de baixa dos juros e o governo federal melhorar a qualidade dos gastos e o alcance do ajuste fiscal - fazendo cortes para que as despesas caibam nas receitas, como previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias -, o Brasil poderá superar a marca dos 4% na sua taxa de crescimento, entrando em patamar sustentável para ultrapassar os 5% a médio prazo.
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