Não se combate a má qualidade de vida nos morros com cal, tinta, barro e meia dúzia de telhas, mas com medidas estruturantes, como urbanização, saneamento básico, melhoria do transporte e, principalmente, obras de reforço das frágeis bases em que se sustentam as casas construídas nessas regiões.
Se pretende mesmo ser um novo Lula, para concorrer a um novo mandato na prefeitura de Vitória, em 2008, como sugerem comentários nos meios políticos, o prefeito de Vitória, João Coser, deve trabalhar pelos pobres com seriedade e não maquiando a miséria. Do contrário não passará de uma cópia mal feita, uma caricatura do original.
Ao que consta, a prefeitura de Vitória está com seu cofre abarrotado de dinheiro e por isso resolveu destinar parte dele a esse projeto de pintura e pequenos serviços, como reboco e reparo de telhados. Tudo para transformar o prefeito numa espécie de pai dos pobres regionalizado e com isso viabilizar sua reeleição.
Com certeza a Cesan não se furtaria e participar de um convênio com a prefeitura para dotar os morros da Capital de um bom serviço de escoamento de dejetos e águas pluviais, entrando com sua tecnologia e seus técnicos e a municipalidade com parte substancial dos recursos financeiros.
Com isso, desapareceriam dos morros os esgotos a céu aberto, causadores de doenças graves. E, com o reforço estrutural das residências, não haveria mais tantos riscos de desabamentos e de mortes. A parte estética do trabalho - pintura das casas - ficaria para o final, pois é secundária no caso.
Importante seria, sem dúvida, a melhoria da qualidade de vida das populações de baixa renda que habitam os morros. Importante para elas e também para o próprio projeto de reeleição do prefeito.
Do jeito que está conduzindo a questão não cremos que João Coser vá muito longe em termos de prestígio eleitoral. Lamentavelmente, estaremos testemunhando mais um equívoco de sua gestão, a exemplo do que ocorre com o projeto que altera os cálculos de pagamento do IPTU, feito supostamente para beneficiar os mais pobres e penalizar os mais ricos.
Os reajustes criados por Coser para esse imposto estão repercutindo muito mal junto à sociedade. E o Ministério Público Estdual (MPE) já estuda uma ação para derrubar o projeto, comprovando sua inconstitucionalidade.
Nas respostas à enquete de Século Diário que entrou no ar nessa sexta-feira (18), a grande maioria dos leitores está considerando a medida um absurdo.
Ainda faltam mais de dois anos para a eleição de prefeitos. É tempo suficiente para João Coser redirecionar a aplicação dos recursos que tem em caixa e fazer algo de concreto pelas populações de baixa renda.
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