De julgador a julgado





Rogério Medeiros

Bastou o colunista passar por alguns municípios do norte e do noroeste do estado para sentir que o tempo é curto para o candidato do PDT ao governo, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, tornar-se conhecido o necessário para ganhar as eleições. Já o governador Paulo Hartung ficou por demais conhecido pela figura do Bem que conseguiu para si.

Essas duas situações estão mais do que claras. Como também mais do que claro está que, se Vidigal tivesse circulado há mais tempo, o resultado da eleição poderia ser outro. Quando se fala no nome dele, percebe-se que há uma certa simpatia associada à necessidade de conhecê-lo melhor. É comum ouvir falar que ele foi um bom prefeito. Mas não passa disso. Faltam elementos e também emissários para divulgá-lo melhor.

Além de que o governador Paulo Hartung praticamente domina o formador de opinião no interior do Estado. Agora, com relação ao governador Paulo Hartung, é a figura do Bem que sustenta o seu favoritismo, assim como quem restabeleceu a dignidade do cargo, já que o déficit de obras e de serviços é muito grande no norte e noroeste do Estado. Em lugares como São Mateus, cobra-se o fechamento de escolas e melhorias no sistema de saúde.

Mais para o noroeste a queixa também vai por aí e agrega-se à situação das estradas, principalmente as que servem de caminho para as carretas que transportam granito. O governo é visto mesmo para o lado do Bem, o que deixa a impressão de que um segundo governo de Paulo Hartung vai obrigá-lo a dar uma resposta à altura do déficit de obras e serviços deixado pelo seu primeiro governo.

Para Vidigal, vão sobrar espaços para fixar imagem e mostrar capacidade política para governar o Estado. O Espírito Santo carente de obras, de assistência à saúde, de escolas, entre outras necessidades, deve predominar nos próximos anos, quando o governador Paulo terá que confrontar um novo governo como o governo anterior dele.

Está, portanto, tudo a indicar que novos tempos estão na porta, com novas figuras no cenário, como é o caso do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, a misturar-se, com as boas exceções do passado, como o ex-governador Max Mauro. Doravante, o governador Paulo Hartung deverá perder a condição de julgador para ser julgado.

Fragmentos
1 - O político que Itapina, no interior de Colatina, enterrou, o ex-senador e ex-presidente do Senado Moacyr Dalla, foi na vida pública capixaba a figura da conciliação. Do bom caráter, do agregador e que teve ainda a grandeza de deixar a vida pública na hora própria.

2 - Para quem desfrutou da sua amizade e cobrava dele a saída precipitava da vida pública, ele, habitualmente, rebatia dizendo que era necessário saber sair da política quando não havia mais o que subir. Recolheu-se à sua querida Colatina, onde voltou a ser um cidadão comum.

3 - Tinha prazer em dizer que desejava passar os seus últimos tempos no lugar onde começou a vida como motorista de caminhão, estudou depois de certa idade, fez faculdade, e percorreu os caminhos necessários para chegar à presidência do Senado. Como costumava dizer, Colatina havia lhe dado tudo e ele retribuía com o afeto a todos. Badalão, como era carinhosamente tratado pelos amigos, já deixou saudades e um exemplo de político que raramente se vê hoje.