Depois de seis meses, a médica esteticista Isabella Cruz Natali (foto) voltará a clinicar a partir desta terça-feira (22), após 13 denúncias protocoladas contra ela no Conselho Regional de Medicina no Estado (CRM-ES). A entidade informou nesta segunda-feira (21) que no próximo dia 30 um novo pedido de interdição cautelar ético será julgado pelos 21 membros do conselho.
Logo depois da abertura de sindicâncias para apurar as denúncias, a profissional teve sua clínica, na Praia do Canto, em Vitória, interditada preventivamente enquanto transcorriam as investigações. O conselho abriu sete sindicâncias contra a médica, acusada de deformar clientes por processos clínicos de emagrecimento.
O novo pedido de interdição está ligado a seis denúncias, analisadas em sindicância. "Vamos reunir todos os conselheiros no penúltimo dia deste mês para apreciar o pedido da acusação", disse o presidente do CRM, Fernando Costa.
Entre as sete primeiras denúncias, duas sindicâncias foram arquivadas após julgamento. As outras cinco geraram processos ético profissional. "Não trabalhamos com um prazo, nem com previsão para fechamento do trâmite, mas a expectativa é que os processos sejam julgados ainda este ano", argumentou.
A defesa de Isabella Cruz Natali pode impetrar recursos no Conselho Federal de Medicina (CFM). Isabella foi suspensa de suas atividades clínicas em 22 de fevereiro deste ano, mas foi beneficiada após recurso no CFM.
"Queremos que as denúncias mais recentes tenham a mesma importância que as primeiras, quando ela foi suspensa preventivamente no decorrer das investigações", reiterou o advogado Alexandre Machado, defensor das vítimas. Machado fez elogios à atuação do CRM.
A advogada de defesa de Isabella, Elisângela Leite Melo, não foi localizada até o fechamento desta matéria para falar sobre o assunto.
Caso Lipo Light é fato inédito
"Em anos de carreira e de atuação no CRM, nunca vi nenhum caso comparável ao desta moça", afirmou Fernando Costa, com 25 anos de profissão e 10 de atuação na entidade que representa a classe. Isabella Cruz Natali pode ser alvo de censura pública, suspensão de trabalhos ou cassação do registro profissional.
Existem seis resultados para todo processo analisado no CRM. A primeira está longe de acontecer nesse caso, a absolvição. Em seguida vêm a advertência e a censura confidenciais. Neste caso, o profissional é avisado duas vezes de que casos graves, de erros em procedimento, constam em sua folha.
As outras punições são a censura pública (com publicação em nota de veículos da mídia), a suspensão de atividades (que pode durar até 30 dias) e a cassação do registro profissional (punição máxima).
Ao que se sabe, Isabella Cruz Natali não foi alvo de nenhuma das três últimas punições. O presidente do CRM não revelou se ela foi punida com alguma das outras punições, por causa da natureza delas e pelo fato de todos os processos do conselho tramitarem em sigilo.
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Até juizes estão desconfiados da Justiça
Informações extra-oficiais dão conta de que na lista de clientes, supostamente prejudicados pela médica esteticista, estão advogados e até juizes na Grande Vitória. "Isto eu sei por meio de pessoas que já me procuraram. Não há nada confirmado, mas há pelo menos mais seis casos de pessoas que possuem algum tipo de lesão", afirmou o advogado Alexandre Machado.
Machado disse que estas pessoas estariam aguardando o resultado dos processos administrativo e criminal contra a médica. "No caso de ela ser punida, não duvido que novos casos surgirão ao fim disso tudo", comentou.
A denúncia criminal do Ministério Público foi protocolada no Fórum de Vitória no último dia 14 e distribuída à 2ª Vara Criminal. A ré pode ser condenada a perder o registro profissional e pegar de 2 a 8 anos de prisão apenas pelo crime de lesão, mas a pena pode ser aumentada em decorrência outros crimes previstos no Código Penal.
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