Salve, salve! Música, música... Tem a ver com sentir. Sentimento. Sinto logo existo. E penso. Penso que sinto naquilo que sou. Ser. Sei ou não sei? Saber o sabor, do sim, do som, do tom... Silêncio! Notas simples navegam por ondas sonoramente domesticadas, e encontram caminhos, trilhas, rumos nunca antes explorados. A simplicidade pode surpreender até mesmo calejados viajantes. Ora, ora, você sabe do que eu estou falando. As cores se sobrepõem e temos então um novo quadro. Um estranho invadindo a sua sala e mudando os móveis de lugar sem pedir licença. Depois do susto inicial, você contempla o resultado e percebe que não ficou ruim. O problema é que não conseguimos nos afastar tão rapidamente daquilo que havia ali, mas lá no fundo sabemos que a mudança era o caminho natural para que tudo continuasse exatamente como estava. Mas de outro jeito.
Musicalmente eu estou num processo de busca por respostas, mas acho que não sei bem quais são as minhas perguntas. Tenho me afastado da minha maneira "natural" de me relacionar com a música. Ninguém entende a razão. Muito menos eu. Às vezes acho normal - "são coisas da idade" - mas depois sinto falta daquilo que não aconteceu. E aí já era. Nesse caso a regra de que o "tempo não pára" é tão eficaz, e livre de exceções, quanto para tudo na vida.
Ah, chega, não quero mais falar sobre isso. Quando tiver alguma novidade, saciarei a improvável curiosidade de vocês.
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E o Skank volta a me dar razão. Com "Carrossel eles se mantêm no topo - criado por mim - de melhor banda nacional em atividade no país. São 15 faixas, selecionadas entre 25 composições inéditas, que fazem desse o mais homogêneo trabalho da banda que completa 15 anos de estrada. Principalmente se contarmos a partir da "grande virada" na sonoridade, que se deu a partir de "Maquinarama" (2000). Até a capa é muito bem inspirada. Não farei um "faixa a faixa" - ou transformaria isso aqui num testamento sem fim - mas existem preciosidades de valor inestimável, tipo o "trevo de cinco folhas, como a faixa que abre o disco, "Eu e a Felicidade" (parceria de Samuel Rosa e Nando Reis). Um rock de viola com "aquela" letra que só o Ruivo poderia fazer. Demorei um tempo para passar de faixa. Só esta já valeria o disco. A parceria com outro ex-titã, Arnaldo Antunes, é outra delícia de levada folk para uma poesia plena, daquela que transportam para o lugar descrito sem fazer escalas. Nesse caso ela leva diretamente à "Trancoso". A música de trabalho "Uma Canção É Pra Isso" também desempenha bem o seu papel de música pop de qualidade, longe de ser banal. A mudança de andamento de "Notícias" (parceria com Humberto Effe), lembra, pelo uso do recurso, o bom e velho Sting em "Love Is Stronger Than Justice". "Garrafas", que traz Lelo Zaneti como co-autor, tem uma bela melodia e me leva próximo ao universo de Brian Wilson. E vamos assim, a cada giro desse "Carrossel", são novas imagens, sutilezas, detalhes notáveis (arranjos luxuosos sem exageros e a presença "na medida" de instrumentos não muito usuais, como banjo, cello, violino, flauta...) que tornam o disco melhor a cada audição. Embarque nessa!
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