O afastamento do prefeito de Guaçuí (sul do Estado), Luciano Machado (PPS), trará alterações na disputa eleitoral deste ano. Os meios políticos locais já começam a capitalizar os prejuízos. Com a mudança no quadro, a principal prejudicada é a deputada Fátima Couzi (PTB/foto). Candidata à reeleição, ela tinha influência na prefeitura e vem enfrentando resistência até entre os apoiadores do prefeito.
Luciano Machado tem uma boa aceitação junto à população. Os moradores de Guaçui, em sua maioria, avaliam o prefeito como um bom administrador e consideram uma injustiça seu afastamento do cargo. Embora estivesse mantendo a neutralidade em relação à eleição deste ano, a população considera que há mais culpados na cassação do prefeito.
Isto porque ele foi condenado pela Justiça Eleitoral por ter praticado abuso de poder econômico nas eleições de 2002 ao distribuir aos alunos da rede pública do município 2.600 mochilas contendo panfletos em que ele aparecia ao lado da deputada Fátima Couzi na região.
Por isso, muitos eleitores culpam a deputada pelo afastamento do prefeito. Quem também não está com uma imagem boa na região é o segundo colocado na eleição de 2004, Luiz Moulin (PMDB), autor da denúncia contra o prefeito. Para a população, Moulin quer tomar o poder a qualquer preço.
Moulin apóia para deputado estadual o presidente da Assembléia, César Colnago (PSDB), e com isso, Colnago, que teria de 300 a 500 votos na região, pode sofrer uma queda no seu cesto de sufrágios.
Quem ainda não conseguiu contabilizar o prejuízo com a situação foi o ex-deputado Juca Alves, que tenta voltar à Assembléia este ano. Juca tem influência, ainda que em tamanho reduzido, em algumas secretarias municipais, mas vai ter que esperar para saber se o apoio que deu ao prefeito no inicio do mandato vai favorecê-lo ou prejudicá-lo.
O sentimento na cidade é de insegurança. Há cerca de dois anos os moradores vivem na incerteza se o prefeito ficaria ou não até o final do mandato. Além dele, a deputada local enfrenta processo na Corregedoria e pode até perder o mandato se os demais deputados entenderem que ela é culpada da acusação de participar de um esquema de desvio de verbas na Assembléia.
Se a Justiça Eleitoral determinar nova eleição, muitas lideranças locais pretendem concorrer. O presidente da Câmara de Vereadores, Rubens Marcelino (PPS), que tem o apoio de Fátima Couzi, é um deles. Luiz Moulin também está na disputa. Para 2008, até a deputada já tem comentado na cidade a intenção de se candidatar, caso não se eleja em outubro ou perca o mandato este ano.
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) manteve a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afastou o prefeito do cargo, na noite desta quarta-feira (30). A decisão agora será informada à Justiça Eleitoral do município, que decidirá se haverá nova eleição no município ou se Moulin será empossado.
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