As projeções inclusas no laudo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre o impacto visual do Condomínio Nova Cidade na paisagem de Vitória mostram a inviabilidade do projeto. Os arranha-céus vão encobrir ou alterar a vista dos principais cartões postais da cidade, como a terceira ponte e o Convento da Penha.
O Iphan encaminhou o laudo para que fosse apreciado durante a análise do Relatório de Impacto Urbano (RIU) do empreendimento, que é de responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec). Além da prefeitura e do MPF, cópias do laudo foram encaminhadas à Associação dos Moradores da Ilha do Boi (Ampib), Ministério Público Estadual (MPES) e Câmara de Vereadores de Vitória.
Foi o MPF que provocou o Iphan para a elaboração do laudo, depois de ser acionado pela ONG Transparência Capixaba sobre a importância da formulação do documento, já que a visibilidade de um monumento histórico poderia correr risco de obstrução.
O laudo mostra que cinco dos sete novos cones visuais do monumento símbolo do Espírito Santo no local são prejudicados e por isso atesta ser desaconselhagem a construção do condomínio em uma área atrás do Shopping Vitória. Os cinco cones que serão obstruídos são contados desde o aeroporto Eurico Sales, seguindo pela orla de Camburi, até a Enseada do Suá.
Os novos cones tiveram de ser criados em decorrência de sua inexistência na época do tombamento do Convento. O único cone que existia até então era o da avenida Nossa Senhora da Penha (Reta da Penha). Agora são oito cones visuais que se somam a outros dois trechos de orla, considerados ângulos em movimento. O primeiro abrange toda a praia de Camburi e o segundo a região da Praia do Canto.
O impacto foi medido a partir dos principais acessos norte da cidade à baía de Vitória. Iniciou-se no cruzamento da avenida Norte-Sul com a Dante Micheline, onde o impacto não é significativo, assim como na altura da avenida Adalberto Simão Nader, próximo à área da Infraero. A partir daí o impacto fica visível e varia de acordo com a aproximação com a baía de Vitória, considerando que as torres do condomínio tenham 67 metros de altura.
Nova Cidade
O empreendimento prevê a construção de 714 apartamentos distribuídos em 13 torres de 19 andares cada. O projeto reúne quatro empresas: Grupo Buaiz (proprietário do Shopping Vitória), Real Engenheria, Helmut Meyrfreund e Construtora RS.
O objetivo é executar o projeto em uma área de 30 mil m², atrás do Shopping Vitória, na Enseada do Suá, e investir R$ 500 milhões em 10 anos, prazo previsto para que os prédios estejam concluídos.
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