Não sei se esse movimento dos sindicatos por um salário mínimo de R$ 420 está correto. Tenho a impressão de que a economia do País não segura a inflação e ainda cria crise na Previdência Social. São reflexões que passam por mim, mas que deviam estar mesmo passando pelos dirigentes sindicais, numa hora em que estão embarcando num discurso que a oposição ao presidente Lula faz com o intuito velado de levar problemas para o governo.
Longe de querer desencorajá-los com o salário mínimo de R$ 420. Pelo contrário, quero que eles façam a dimensão correta da pedida. A meu ver, tem que ser benéfica ao trabalhador, pois não adianta nada dar um aumento que possa ser comido pela alta dos preços.
É necessário não ignorar que vivemos num país em crise, onde mesmo com a crise a inflação está sob controle, onde o dólar contido trouxe reducão aos custos dos produtos da cesta básica e onde o governo segura o desemprego com o Bolsa Família. Tudo com absoluto risco. Se isso desandar, quem vai pagar é o trabalhador.
Não quero dizer que as minhas reflexões estão corretas. Estou me valendo desse comentário para pensar alto para os dirigentes sindicais capixabas, para quem tenho a pretensão de falar. Ouçam: realmente essa questão de salário mínimo implantado no Pais ainda no século passado pelo presidente Getúlio Vargas foi sempre uma faca de dois gumes. Bom para o trabalhador, mas, muita das vezes, com custo social alto para o trabalhador.
É evidente que há situações favoráveis. Como essa agora de um trabalhador à frente do governo. O presidente é um trabalhador. Não mais um integrante da elite brasileira. Entretanto, ele não tem varinha de condão para segurar as conseqüências de um salário mínimo mal concebido.
Penso que a reforma sindical, onde ainda não há a devida compreensão da maioria dos dirigentes sindicais, traria alternativas muito melhores do que simplesmente correr atrás de números para o salário mínimo. Cabeça no lugar, minha gente, para que o tiro não sai pela culatra.
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