No estilo das hordas de extrema-direita que davam suporte a regimes de exceção na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini, no final dos anos 30 e início dos 40 do século passado, centenas de homens recrutados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Extração de Madeira do Espírito Santo (Sintiema) avançaram com violência, esta manhã, contra os índios que ocuparam pacificamente o Portocel, da Aracruz Celulose.
Comandados pelo vereador Davi Gomes, presidente do sindicato, os milicianos da madeira não respeitaram sequer o deputado petista Cláudio Vereza, que teve sua cadeira de rodas chutada. Outros apoiadores da causa indígena foram empurrados e ameaçados.
Já os índios tiveram que ficar confinados num espaço protegido apenas por um portão para escapar às agressões.
A todo esse espetáculo de truculência e agressividade a direção da Aracruz assistiu impassível. Para os índios, o ataque dos milicianos não apenas foi autorizado como incentivado pela Aracruz Celulose.
Trata-se de um crime inominável contra a liberdade. Não será com pancadaria que a transnacional resolverá suas pendências com as tribos indígenas das quais usurpou terras no norte do Estado. A questão está em nível de resolução no Ministério da Justiça, onde a deputada federal Iriny Lopes tenta, junto ao ministro Thomaz Bastos, agilizar o andamento do processo de reconhecimento das terras indígenas e sua devolução aos legítimos donos.
Apelar para grupos de desordeiros, como faziam Hitler e Mussolini, é tentar ressuscitar práticas banidas da história da humanidade. É desrespeitar a democracia e desafiar as instituições republicanas.
A Aracruz passou dos limites em sua ânsia de dominar territorialmente o Espírito Santo. Estudos técnicos já demonstraram que pouco mais de 11 mil hectares de terras ocupadas com eucaliptais pela empresa pertencem aos índios e a eles devem ser devolvidas. Foi um longo, demorado e profundo estudo ao longo da história sobre a presença indígena em terras capixabas.
Não há mais o que discutir. Está faltando pulso ao governo federal para enquadrar a Aracruz nos ditames da lei. Sem lei não há paz. Nem entendimento. E não cremos que seja de interesse do governo deixar que a questão se transforme em vale-tudo, em luta campal, colocando índios pacifistas de um lado e jagunços violentos de outro.
Já correu sangue nessa contenda dos índios em defesa de suas terras. Bombas, cassetetes e balas de borracha já foram usados para desalojá-los das terras que lhes pertencem. Até agora, felizmente, não houve mortes.
Mas, a permanecer o clima de confronto que se instalou na ocupação do Portocel, sem que o poder público se disponha a intervir, não há como evitar o aumento da violência e suas terríveis conseqüências.
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