O governo está todo empenhado em derrotar o ex-deputado Marcelino Fraga na disputa pelo controle do PMDB. Mas anda cheio de dificuldades, apesar das pressões que faz sobre os convencionais. À primeira vista, pode ser uma disputa irrelevante. Mas não é. Ao contrário, ela é muito importante. Pois, do jeito que está sendo conduzida, coloca sob ameaça o poder político do governador Paulo Hartung. A própria presença do vice Lelo Coimbra à frente da chapa contrária a Marcelino simboliza a presença do governador na disputa.
O que é extremamente importante nessa disputa é a capacidade de controle do Marcelino sobre o partido, a ponto de o pessoal do governo recorrer a recursos extra-disputa. O que sobejamente demonstra que numa disputa normal a chapa do governo estaria derrotada. Num momento inoportuno demais para o governador, pois o pega ao sair de uma reeleição consagradora e em plena marcha para alcançar a hegemonia política do Estado.
Sendo necessário registrar que o adversário que ameaça produzir danos políticos a ele encontrava-se, até então, no fundo do poço. Incluído que foi na máfia das sanguessugas a ponto de perder uma reeleição certa para a Câmara dos Deputados.
E acaba entrando nessa contenda com resultados positivos assegurados. Caso vença, significa vencer o governador do Estado na posse do PMDB. Perder, fazendo 20% do partido, tem assegurado um pedaço do partido. Já para o governo o resultado só compensa se a vitória for esmagadora, o que não anda, sequer, nos cálculos dos próprios governistas. Tanto que hoje havia entre eles quem propusesse acabar com a eleição secreta, assegurada pelos estatutos do PMDB, recorrendo à Justiça. O que seria, de certa forma, optar pela tirania, quando Marcelino na presidência do partido tem conseguido ser mais governista que os próprios hartunguetes. Nessa PH passou do ponto da sua imensa inteligência política.
Fragmentos
1 - A Assembléia não está livre de abrir o caso César Colnago (PSDB), denunciado pelo deputado Neto Barros (PDT). Principalmente entre aqueles que se sentiram lesados nos seus redutos eleitorais. Alguns até perderam o apoio dos prefeitos, trocados por cargos em comissão e obras no setor de saúde.
2 - Está sendo cronometrado o tempo para ver o que dá agora, já que eles não confiam em medidas tomadas na próxima legislatura. Muito embora a relação dos reeleitos não seja das melhores com Colnago, não há perspectiva de se tomar partido contra ele.
3 - Como o governador do Estado em exercício, Lelo Coimbra, acaba de fixar os subsídios dos atuais deputados estaduais em R$ 9.540,00 e os deputados federais andam dispostos a fixar os deles em R$ 22 mil, os deputados dependem do Colnago para elevar os seus subsídios.
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