A água da GV está acabando





Ubervalter Coimbra


Os moradores da Grande Vitória que se preparem: vai faltar água para beber. E em pouco tempo!

Vai faltar água para o consumo dos moradores da Grande Vitória porque políticas públicas inconseqüentes vêm sendo implementadas ao longo da história.

A mais recente delas, de autoria do governo Paulo Hartung, é o incentivo aos plantios de eucalipto na região serrana capixaba. O eucalipto, comprovadamente, seca nascentes, córregos e rios.

O alerta em relação aos efeitos dos plantios de eucalipto sobre as duas bacias que abastecem a Grande Vitória, as dos rios Santa Maria da Vitória e do Jucu, vem de liderança que tem vivência no campo. É feita pela coordenação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que conhece os efeitos dos eucaliptais sobre as águas do norte e noroeste capixaba.

O desmatamento na região serrana já vem desequilibrando a oferta de água nas bacias do Jucu e Santa Maria. Sem vegetação nativa que permita a infiltração das águas das chuvas, quando chove, ocorrem as enchentes, agravadas pelo assoreamento do leito dos rios. Na seqüência, é escassez de água.

Não há fiscalização nem do Ibama, nem do Idaf e Seama/Iema, nem das prefeituras que seja suficiente para proteger a vegetação nativa. E o desmate continua, até com autorizações ilegais dados pelo poder público.

Sem a vegetação não há, ainda, recarga das nascentes. A recarga é feita nos topos de morros, nas encostas, áreas que devem ser de estar protegidas. A proteção contra a evaporação é dada pela vegetação nas margens dos rios e córregos.

O plantio de eucalipto e o desmatamento são apenas alguns dos problemas que promovem a destruição da água. Pois já não se fez, como política do governo estadual, a drenagem de várzeas, reservatórios de água, para ampliar as áreas de plantios?

No caso da Grande Vitória, a inexistência de espaços para reserva de água nos rios Jucu e Santa Maria nos períodos das chuvas é um complicador. Quando o período de escassez chegar, e está próximo o horizonte de 2.016, quando vai começar a faltar água na região metropolitana, o poder publico terá que investir grandes somas nestes reservatórios.

É claro que seria mais barato garantir a manutenção da mata nativa e promover sua ampliação. É claro que seria mais barato tentar a recuperação da capacidade das várzeas de reservar água, com a construção de mini represas nos canais abertos, entre outras providências. Mas nada disso é feito, embora sugerido por ambientalistas e técnicos que estudam o problema.

Há, ainda, o agravante de que as empresas transnacionais, leia-se: CVRD e CST , são vorazes consumidoras de água, e estão em ritmo frenético de expansão na Grande Vitória.

Além de estas empresas captar grandes quantidades de água no rio Santa Maria, o mais próximo de suas usinas, estas empresas estão literalmente dando em cima da água subterrânea existente na região, que é reserva social. E assim, não poderia ser usada desmesuradamente para atender a indústria. Porque, entre outros pontos, não se sabe como e em quanto tempo (seria em milhões de anos?) esta reserva subterrânea foi formada.

Sem contar que a CVRD e CST rumam para o sul, mas lá o estrago será feito em outras fontes, que não abastecem a Grande Vitória, que são o rio Benevente, a lagoa Mãe-Bá. Bem, esta será outra história de degradação ambiental.

Na Grande Vitória, ou nos engajamos todos na luta pela mudança das políticas públicas e na educação da população para que nossas fontes de água sejam protegidas, ou nos preparemos para a catástrofe.

O ano em que vai começar a faltar água na Grande Vitória, 2.016, está chegando!


Contato: ubervalter@seculodiario.com