Vitória (ES), edição de 13 de dezembro de 2006

Polícia Civil conclui investigação
sobre queda de avião que matou 6



José Carlos Bacchetti
Foto e Reprodução: Ricardo Medeiros


O delegado André Luiz Cunha Pereira, da Divisão de Homicídios, terminou nesta quarta-feira (13), a estrutura do relatório sobre o acidente da aeronave que matou seis pessoas em outubro deste ano, ao cair no mar entre os balneários de Manguinhos e Jacaraípe, no litoral da Serra. "Está faltando apenas concatenar - preparar o relatório de forma mais viável para que qualquer pessoa, até mesmo os leigos possam entendê-lo", garantiu o delegado.

Mostrando-se satisfeito com o trabalho, o delegado André Cunha disse que não poderia adiantar o relatório que vai conter 25 laudas, mas deixou claro: "Vai ter novidades, e ninguém vai deixar de entender", disparou André Cunha, que pediu paciência a imprensa com relação aos outros casos de repercussão que estão sendo investigados por sua equipe que faz parte da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Para a conclusão do Inquérito Policial, o delegado André Cunha esteve recentemente na cidade de Conselheiro Lafayete, em Minas Gerais, onde o avião bimotor recebia a manutenção, e também no Rio de Janeiro, onde moram as famílias das vítimas. Sobre os destroços do bimotor, disse: "Alguns amigos mergulhadores estão observando o local e ficaram de avisar-me quando houver alguma novidade. O local, por ter pedra, poderá apresentar boa visibilidade, e quando isso ocorrer serei informado".

"Estou relatando o inquérito, e pretendo apontar passo a passo do que fizemos, a exemplo do inquérito policial sobre a morte do estudante de engenharia do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Guilherme Testoni, 25 anos, encontrado morto em alto mar, na região de Setiba, Guarapari.

O último contato de Testoni com a família foi em 20 de maio. A mãe dele, Elza Diniz Testoni, recebeu uma mensagem no celular que deixou a família confusa. "Realiza teu sonho, que eu vou realizar o meu". De acordo com a madrinha e tia de Guilherme, Elizabeth Diniz, todos acharam a mensagem estranha. "Nós nunca usamos esse tipo de comunicação por mensagem celular", disse ela.

O delegado André Cunha, baseado em provas materiais - localização de cartas, mensagem telefônica, documentos, óculos etc - e em levantamento da vida pregressa da vítima, acabou concluindo que Testoni se matou. A Polícia Civil descobriu que Testoni estava depressivo por causa de uma dívida no valor de R$ 100 mil que contraíra para aplicar este dinheiro em ações da Varig, empresa aérea.

A queda do bimotor

Conforme já deixou claro o chefe da DHPP, delegado Danilo Bahiense, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar a queda do avião por entender que se trata de acidente aéreo. O delegado André Cunha obteve da Infraero uma sala no aeroporto, onde deu início à tomada de depoimentos de funcionários.

Ouviu moradores da região da Serra, entre os balneários de Manguinhos e Jacaraípe, que afirmaram ter ouvido uma explosão. Bem como os que ajudaram na localização dos corpos e partes do avião bimotor. O delegado André Cunha também contou com ajuda de oficiais da Aeronáutica e da PM para entender sobre pouso, decolagem, tráfego aéreo e condições do tempo.

Morreram no acidente o coronel da reserva da Aeronáutica Alduíno Coutinho de Souza, 48 anos, a mulher dele, Ronilda Oliveira de Souza, e os filhos Alduíno Oliveira de Souza e Rafael de Souza, bem como as namoradas destes, respectivamente Luana e Fátima. Apenas dois dos seis corpos não foram encontrados: o do piloto - coronel Alduíno - e do filho dele, Rafael.