Vitória (ES), edição de 13 de dezembro de 2006
 
Mais de 40 toneladas de lixo por
dia poluem o ES: gerência regionalizada

Ubervalter Coimbra

Sessenta e oito por cento das prefeituras capixabas jogam seus resíduos sólidos em lixões, uma média de 41,60 toneladas diárias, que contaminam o solo, a água e o ar do Estado. Um convênio e um termo de cooperação técnica no qual é proposto um estudo para a regionalização dos serviços de gerenciamento de resíduos sólidos no Estado foi assinado nesta quarta-feira (13).

Pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) assinou a presidente, Maria da Glória Brito Abaurre, e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) o convênio foi assinado pelo secretário de Qualidade Ambiental, Victor Zular Zveibil. A solenidade foi na Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). Participaram representantes da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes).

A constatação sobre a destinação irregular do lixo pelas prefeituras é resultado de um estudo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama).

O convênio entre o Iema e o MMA tem como objetivo "desenvolver pesquisas locais que possibilitem uma visão mais aprofundada da situação atual, que identifique aspectos referentes à forma de coleta e destinação final dos resíduos urbanos, bem como as potencialidades locais e as alternativas para a solução dos problemas identificados", informa a assessoria do Iema.

Os dados permitirão formar um mapa, por região, da realidade capixaba em relação aos resíduos e apontar as soluções. O governo não tem informações atualizadas sobre a questão.

O Iema lembra que "uma das formas de otimizar a regionalização dos serviços de gerenciamento dos resíduos sólidos é a formação de consórcios intermunicipais. Com base na lei, os municípios podem se agrupar em microrregiões de características geográfica, topográfica e com ambientes semelhantes, para um melhor gerenciamento integrado e participativo dos resíduos".
E que "a formação desses consórcios reduz custos, impactos ambientais, propiciando um maior aproveitamento dos resíduos e qualidade de vida para os moradores".
O Iema lembra ainda que os dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2000) mostram que o Brasil produz aproximadamente 240 mil t/dia de resíduos, com uma produção média de 1 kg por habitante/dia.

Outros dados apontam que, no ano de 2000, foram coletadas 149 mil t/dia de lixo, das quais somente 2,8% foram destinadas à reciclagem, ou seja, voltaram ao ciclo produtivo, e 3,9% à compostagem.
Cita o Iema que, segundo o professor da Universidade Federal de Viçosa, João Tinoco Pereira Neto, "65% do lixo brasileiro é composto por materiais orgânicos que ao se decomporem concentram uma alta carga de poluentes, o que gera a produção do chorume, líquido que pode contaminar o solo e a água".

E ainda que os resíduos sólidos "também geram a formação de gases, como o metano, que contribuem para o aquecimento global e conseqüentemente para as mudanças climáticas. Tinoco afirma também que o lixo, além de causar problemas ambientais, contribui para a proliferação de animais vetores de doenças como as moscas que podem transmitir 25 tipos de doenças infecciosas".


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