"Colnago subestima a inteligência da população com respostas que nada esclarecem sobre o uso que ele fez do cargo para se reeleger. Dizer que seus atos são probos é de um cinismo sem tamanho." Foi assim que o deputado Neto Barros (PDT/foto) reagiu à declaração de Colnago sobre denúncia de corrupção que pode levar à cassação do mandato do presidente da Casa. Neto e a deputada Janete de Sá (PSB) decidiram unir esforços nesse sentido.
Para Neto Barros, o conjunto do Parlamento estadual não pode ficar indiferente à gravidade da denúncia que ele fez ao Ministério Público a respeito de barganhas eleitorais envolvendo contratações políticas para cargos comissionados na Assembléia e destinação de recursos da área de Saúde para obras no interior. "A imprensa - acentuou Neto - tem suas posições. É privada, precisa ter lucros para sobreviver e deve cuidar de seus interesses. Está no papel dela quando não dá a devida importância aos atos de corrupção do deputado Colnago. Mas esta Casa é pública, vive do dinheiro do contribuinte, que paga nossos subsídios e nos proporciona condições adequadas de trabalhar para defender os interesses da coletividade. Ignorar o que Colnago fez para se reeleger é desrespeitar os cidadãos capixabas."
Neto lamentou que toda a carga da imprensa esteja sendo feita para dar ao episódio envolvendo a deputada Janete de Sá um caráter de escândalo, de corrupção. "O que houve com a Janete foi desvio de conduta de duas de suas assessoras. Isso não tem nada a ver com corrupção. Já os 'atos probos' de Colnago - que prefiro chamar de atos podres - envolvem milhões de reais dos cofres públicos."
Neto lembrou que, na denúncia encaminhada por ele ao Ministério Público Eleitoral contra Colnago, estão listados vários nomes de servidores da Casa ocupantes de cargos comissionados e que, de uma forma ou de outra, trabalharam para a reeleição de Colnago. E que na mesma representação consta a destinação de verbas da Secretaria de Estado de Saúde para obras feitas em troca de apoio eleitoral ao tucano.
"Foi com dificuldade que conseguiu levantar esses nomes e as verbas usadas para serem trocadas por votos pelo Colnago. Não tive qualquer apoio da burocracia da Assembléia, mas reuni um número significativo de fatos altamente comprometedores da ação do deputado Colnago para buscar sua reeleição. Em alguns municípios - como Ibitirana, por exemplo - ele teve quase mil e duzentos votos este ano e, em 2002, nenhum voto. É um santo milagreiro. Gostaria de saber como ele conseguiu ficar tão popular em Ibitirana de uma hora para outra."
Neto se disse satisfeito com a disposição de sua colega socialista Janete de Sá de lutar também pela punição de Colnago, já que seu atual mandato se encerra este ano. "É muito bom saber que a Janete vai dar prosseguimento à luta pela moralização desta Casa. É uma parlamentar combativa, com larga experiência na vida sindical, e saberá, até melhor do que eu, conduzir essa cruzada moralizadora."
Janete confirmou que vai levantar, junto à Administração da Assembléia, novos dados que comprovam o envolvimento de Colnago em atos de corrupção. "A imprensa está fazendo um estardalhaço por causa de quatro latinhas de cerveja. Mas não dá importância ao desvio de mais de quatro milhões de reais para as obras eleitoreiras que Colnago acertou com o governo para conquistar votos no interior do Estado. E quanto estão custando aos cofres públicos as nomeações que Colnago fez de afilhados de seus cabos eleitorais? Isto, sim, é corrupção. E corrupção braba. Vou trabalhar com afinco para levar às últimas conseqüências a denúncia do colega Neto Barros."
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