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Foto: Divulgação
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| A vocalista Bianca Jhordão é uma das principais componentes da cena indie do Rio
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Por pouco a banda carioca Leela, atual sensação da cena musical carioca - primeiro grande fervor depois do Los Hermanos -, não se apresentou no Estado no último sábado (28). O show foi cancelado na última hora. Em entrevista concedida ao Século Diário, a banda comenta sobre o peso das expectativas, Los Hermanos e apresentação no Faustão.
A estrada do Leela começou a ser trilhada nos burburinhos da cena independente carioca. Com músicos bem situados na cena local, começaram a cavar espaço num meio mais amplo. Temas amorosos revestidos num rock quase oitentista valeram ao grupo um contrato com a EMI.
Confira abaixo a entrevista concedida por e-mail ao Século Diário.
Antes do Leela, o som que vocês faziam no Polux era mais pesado, certo? Como foi a transição desse som para a pegada mais pop do Leela?
Rodrigo Brandão: O Polux era mais punk, menos melodioso e mais rápido. Com o Leela, passamos a trabalhar mais as melodias, o que vimos como um processo evolutivo. O fato de soar mais pop vem de uma evolução nossa mesmo. De qualquer jeito também tocamos melhor que na época do Polux e, por isso, achamos o Leela mais pesado que o Polux em diversos momentos.
Como foi a repercussão desse primeiro disco do Leela? Superou as expectativas?
Rodrigo: A repercussão do nosso disco foi ótima. Fomos eleitos Revelação do Ano da MTV, prêmio que consideramos muito importante. Nosso disco concorreu ao Grammy Latino de "Melhor Álbum de Rock Brasileiro", concorremos ao prêmio Revelação do canal Nickelodeon e do do Faustão. Fomos consideramos uma das cinco revelações do ano segundo a revista Bizz, incluindo artistas internacionais. Em relação a isso tudo, nosso disco até supreendeu à expectativa mais otimista de qualquer um de nós. Já no ponto de execução no rádio e divulgação na mídia, acreditamos que o disco teria potencial para alcançar muito mais gente. Isso ainda não aconteceu principalmente por causa da dificuldade pela qual a indústria fonográfica passa. O passar do tempo poderá confirmar, ou não.
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Foto: Divulgação
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Como foi para a banda se apresentar no Domingão do Faustão? Como foi a negociação para chegar lá?
Bianca: Um dia o escritório nos ligou e avisou que iríamos tocar no Faustão, não sabíamos de nada até então. Foi uma surpresa, eu mesma não imaginava algum dia tocar no programa. Acho que um dos motivos que nos ajudou foi ter a música "Te Procuro", na trilha da Malhação. Ficamos um pouco nervosos, mas tudo correu bem e foi ótimo podermos tocar várias músicas ao vivo. O Faustão também foi muito simpático e nos deu a maior força.
O meio underground viu com algum preconceito a apresentação do Leela no programa? Vocês chegaram a ser taxados de vendidos?
Bianca: Quando você aparece num programa dominical nacional, a repercussão é maior mesmo. Mas fomos lá e nos apresentamos com ótimos condições técnicas, ao vivo, da mesma maneira como já nos apresentamos em programas muito bons como Musikaos, Bem Brasil, Atitude no Telhado....Tocamos com a mesma paixão que temos quando fazemos nossos próprios shows. A gente continua a trilhar nosso caminho da mesma forma e nossa vida não mudou radicalmente desde que tocamos lá. As coisas acontecem aos poucos e isso foi mais uma oportunidade que tivemos de mostrar nossa música para um grande número de pessoas.
Como está a cena alternativa carioca hoje em dia?
Bianca: Com o tempo corrido temos tido menos oportunidade de ir a showzinhos. Mas temos recebido várias demos nos shows que fazemos e volta e meia uma banda nos surpreende. Mas das bandas despontando aqui do Rio e que eu torço são a Katia Dotto, Pic Nic, CanjaRave, MopTop.
A cena ainda carrega o "peso" da força Los Hermanos?
Rodrigo: Acho que o Los Hermanos foi uma banda que, com o sucesso, se distanciou do cenário underground. Quando eles despontaram, meio que caminharam sozinhos, não houveram outras bandas vindas do underground que tocaram e despontaram como eles. Também me parece que eles não estimularam em nada isso, mas não sei o motivo e nem os censuro. Nos últimos dois anos percebo que eles têm colocado bandas do cenário independente para abrir os seus shows e acho isso ótimo. Inclusive têm colocado excelentes bandas, apesar de serem todas de amigos deles. Mas não importa, porque é muito legal dar uma força para os amigos que fazem um som bacana.
O Leela é tido como o principal nome do rock nacional para 2006. Como é trabalhar com tanta expectativa?
Bianca: Em 2003 ganhamos o prêmio de Revelação do Ano pela revista Dynamite e em 2005 o prêmio de revelação da MTV, ou seja, aos poucos estamos trilhando nosso caminho "a passos de formiguinha". A expectativa nem sempre é positiva, porque as pessoas podem esperar algo que você não é. A gente tenta se divertir em todos os momentos e não deixamos que isso se torne uma "pressão" pra gente
O que vocês conhecem do underground capixaba, talvez um dos mais fortes do país?
Rodrigo: Com o Polux fomos algumas vezes ao Espírito Santo e talvez tenha sido um dos lugaers que tivemos melhor acolhida. Fizemos muitos amigos na época aí. As bandas que conhecemos são mais dessa época, mas boa parte ainda está bem ativa hoje em dia. Posso destacar Os Pedrero, Dead Fish (que não chega a ser mais underground, apesar do espírito ainda ser), Mukeka di Rato, Crivo e Zé Maria.
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