Greve sem sentido





Caetano Roque da Silva


Mais uma vez a greve é usada indevidamente. Estamos falando da greve recente dos rodoviários. O caminho para buscar justiça para o companheiro assassinado não era o caminho da greve, que, em última análise, prejudicou o trabalhador. Foi o trabalhador quem ficou sem transporte para o seu lazer e trabalho. Afinal, quem explora o trabalhador anda de carro, e em bons carros.

Irritou a população, perdeu a companhia do povo. O povo, em lugar de se revoltar com o crime, revoltou-se contra o sindicato. Esse sindicato dos rodoviários tem que entender que ele lida com interesse popular, pois são eles que transportam a população, a maior parte de baixa renda, e tem do outro lado um lobo, os donos dos ônibus, interessados em lucro.

Atitudes como a última mexem sobretudo com segurança, e segurança costuma dar em pancadaria e revolta. No caso, ficou a revolta patente com populares destruindo ônibus. E a população anda com os nervos à flor da pele, havendo já pesquisas e resultados eleitorais que mostram um percentual alto de violência preocupando a população.

Esse sindicato dos rodoviários esteve sempre neste uso da greve por questões secundárias. Parece ser um vício. Antes era porque ele era dirigido por pelegos e pelo crime organizado. Mas agora ele está em mãos de dirigentes sindicais de boa origem, mas que continuam a praticar atos iguais aos que praticavam os seus dirigentes sindicais comprometidos com interesses escusos.

O intuito deste meu comentário é levar à reflexão os atuais dirigentes sindicais, no sentido de que eles possam agir em favor da categoria e do trabalhador usuário do sistema de transporte coletivo. Não dá mais para a população lidar com greves que atingem o interesse da população. Essa não é a expectativa nossa, como também não deve ser da população. Sindicato é coisa séria, visa aos interesses dos trabalhadores e deve ser levado em favor do trabalhador. Que os rodoviários guardem a greve para a hora da greve e ela não seja mais um instrumento de baderna. São os meus votos.