Mais privilégios para a Aracruz




A Aracruz Celulose acaba de receber um privilegiado empréstimo do BNDES. Que não é nada de novo, muito menos o primeiro. Ela é antiga na captação de empréstimos favorecidos no banco. Teve até uma vez em que o BNDES ficou esquentando ações da Aracruz, para tirá-la de um grande aperto. Depois as devolveu de mão beijada. Agora, pegou R$ 297 milhões a juros que vão de 2, 3 e 4% ao ano. Um manjar dos deuses.

Para turvar a vista das entidades de trabalhadores no Estado, a maior parte deste empréstimo vem do FAT, dinheiro do trabalhador. Sendo que entre o destino que a Aracruz dará a esse generoso empréstimo, encontra-se a aquisição de 90.806 hectares de terras no Espírito Santo e na Bahia.

Na prática, o dinheiro de Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT) vai ser utilizado contra o próprio trabalhador. Pois, na medida que ela compra novas propriedades para ocupar com eucaliptos, ela está tirando delas os trabalhadores ocupados nas suas lavouras. No caso dos pouco mais de 90 mil hectares, são 88 mil empregos que vão embora. A cada 30 hectares de eucalipto, apenas um emprego é gerado.

Agora, imaginemos esses R$ 297 milhões entregue às pequenas propriedades, com essa beleza de juros. Criaria milhares de empregos e fertilizaria a economia do Estado com milhares de reais. Basta dar uma olhada para dentro do Espírito Santo para encontrar a cadeia da fruticultura, com os seus apenas 50 mil hectares, ocupando 58 mil empregos.

O dia em que entidades patronais, do campo e da cidade, adquirirem coragem para levantar a trajetória real de empresas como a Aracruz Celulose na economia do Estado e na geração real de emprego, o Espírito Santo deixará de ser quintal de empresas como ela e outras congêneres, como a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e Samarco. Vão sentir na pele como elas são impiedosas com os trabalhadores e brutal com a economia do Estado.

Nós, de Século Diário, estamos dispostos a trabalhar para que acabe, no que diz respeito às autoridades do Espírito Santo e às entidades patronais, essa purificação da Aracruz Celulose. Não é real. Pelo contrário, se esse povo tivesse à par da dimensão do estrago que ela produz no Estado, já teria erguido o seu cadafalso.

Pois, tratando-se de quem se trata, é bom lembrar, que na esfera dos negócios, o Poder só se mantém pela expansão. Do contrário míngua e morre. Daí o empréstimo favorecido do BNDES para alimentar o crescimento e volúpia de lucro dessa verdadeira e impiedosa tigresa da economia capixaba.