Águia nova no pedaço





Rogério Medeiros


Com as baterias recarregadas depois de 30 dias de férias, estou de volta à coluna. Grato à companheira Renata Oliveira que me substituiu, muito bem, aliás, e aos amigos de Itaúnas que me acolheram para mais um período de descanso. Quanto à política, o quadro que recebo mostra o Renato Casagrande crescendo no processo eleitoral, para se firmar como um nome fortíssimo para o Senado.

Desses que o governador Paulo Hartung vai ter que correr atrás, para não dividir o discurso da moralidade, de que era, até então, detentor isoladamente. O fim dos jetons no Congresso Nacional, por obra de projeto do Casagrande, dotou o deputado de um discurso eleitoral redondinho. E o PH não vai querer que ele fique à distância.

Está previsto, portanto, uma aliança. Mas o quadro político-eleitoral, mesmo com o destaque para o Casagrande, não saiu ainda das mãos do governador Paulo Hartung, que continua guardando as vagas para o governo e para o Senado. Só deve colocá-las na roda em março, como já havia previsto. Ele está entrando em férias agora em fevereiro para só retornar no dia 5 de março, quando deve então abrir a temporada de caça.

E como diz a Renata, com as baterias recarregadas, sobretudo pela liberação eleitoral que recebeu do presidente Lula e ainda o renovado interesse do presidente de vê-lo bem sucedido eleitoralmente. Mais uma vez, fica patente de como a oposição ao governador foi negligente e o deixou armar à vontade. Jamais o incomodou e sequer soube explorar os seus erros. Deixou que ele se saísse bem nas fotografias em todos esses três anos de governo.

Diria até que se não houvesse o fenômeno eleitoral Casagrande, o governador não teria de se incomodar nessas eleições que estão na porta. Armaria a seu gosto, apenas com os cuidados de praxe, que é o de não encontrar pela frente o ex-governador Max Mauro(PDT) e vigiar o senador Magno Malta (PL), com o seu magnetismo sobre os eleitores.

Quer dizer, tem águia nova no pedaço e chama-se Casagrande.


Fragmentos
1 - Como muita gente, também senti a morte do deputado Edson Vargas. Muitas vezes abasteci a coluna de informação através dele. Era um político sagaz, leal, mas humilde. Tinha o hábito de sentar-se na minha frente no jornal e ficar horas. Gostava de ouvir e falar de seus propósitos políticos. Tinha planos para o futuro. E direito a tê-los pelo seu desempenho político..

2 - A última vez que estive com ele foi no restaurante Beira-Rio, em Itaúnas. Ele me encontrou lá e, no seu estilo afável, foi logo dizendo, "Senti falta da prosa do amigo e vim em busca dela. Proseamos à vontade. Despediu-se dizendo que voltaria no dia seguinte para completá-la. Ele estava de férias em Guriri. No dia seguinte, voltou e continuamos a prosa. Em seguida, para a minha tristeza, veio a má notícia de sua morte numa curva da BR-101 norte. Na minha idade, na minha profissão, a morte de um jovem como ele dói muito, além de deixar um buraco na classe política do Estado.

3 - A resposta aqui do jornal à violência praticada contra os índios Tupinkim e Guarani do Estado, ao responsabilizar algumas autoridades por omissão na questão indígena, entre elas o sub-secretário de Direito Humanos, Perly Cipriano, teve uma certa dose de exagero. Concordo que alguns órgãos não cumprem com seu dever, mas no caso do Perly - apesar também da sua omissão -, era necessário, no entanto, respeitar seu passado. A história dele é a de um guerreiro da redemocratização do País.