Foi para atender os interesses (ilegais e ilegítimos) de uma empresa que, ao arrepio da lei, o governo Lula lançou a Polícia Federal, inclusive efetivos de sua unidade mais competente, deslocada de Brasília, contra os índios tupinikim e guarani no Espírito Santo. Como resultado, duas aldeias destruídas e 12 índios feridos à bala.
O governo Lula pode se desculpar dizendo que cumpria decisão judicial (era uma liminar!) para reintegração da posse das terras à empresa. Mas será desculpa esfarrapada, pois o Ministério da Justiça (o ministro é Márcio Thomaz Bastos), ao qual está subordinada a Polícia Federal, é o mesmo ministério ao qual está subordinada a Fundação Nacional do Índio (Funai).
E a Funai sabe que os índios tiveram suas terras roubadas pela empresa há quatro décadas, e que estas terras foram mantidas em poder da empresa em ato imoral praticado no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1997, que também empregou a Polícia Federal em ato de força para exigir que os índios assinassem um "acordo" com a empresa. Cansados de esperar que o governo Lula cumprisse seu papel e demarcasse estes 11.009 hectares de suas terras, os próprios índios a demarcaram. Foram estas as terras "reintegradas" à empresa.
De tudo sabia, e sabe, o governo e, mesmo assim, lançou suas tropas contra os índios. Um absurdo que, definido como barbárie, ainda é pouco.
Pois cabe ao governo mobilizar sua tropa policial mais especializada no combate à biopirataria, que dá um prejuízo de US$ 1 bilhão por ano ao Brasil (no mundo a biopirataria movimenta cerca de US$ 60 bilhões por ano). Cabe ao governo mobilizar a Polícia Federal contra a indústria do narcotráfico, que movimenta cerca de US$ 1 trilhão por ano no mundo, boa parte no Brasil. O narcotráfico coloca o Brasil como um dos países com os maiores índices de violência dele decorrente.
A Polícia Federal deve ter um papel destacado no combate ao tráfico de mulheres no Brasil; na luta contra o trabalho escravo, quase ou nada combatido; contra a sonegação fiscal.
O governo deve empregar a Polícia Federal contra os crimes de colarinho branco.
Mas como, se aí terá que investigar seus correligionários, em investigações dos crimes do Valérioduto/PTDuto? Mas como, se combater o narcotráfico parece impossível? Então ...
Então sobram os índios. É como se a operação federal realizada contra os índios fosse uma espécie de treinamento contra guerrilha rural.
É imoral determinar disparos de morteiros de efeito moral contra índias, entre elas grávidas e velhas, e crianças. É imoral disparar tiros que feriram 12 guerreiros armados de arco e flecha ...
É imoral destruir aldeias indígenas em terras que seu próprio órgão especializado (a Funai) reconhece ser indígena.
Tudo isso para atender a uma empresa que tem capital multinacional, que destruiu (destrói, como comprovado pelo Ibama na Bahia no ano passado) a mata atlântica.
Imoral conceder empréstimos com juros irrisórios a uma empresa como esta, que tem nome: Aracruz Celulose.
É imoral que o chefe do governo brasileiro, no dia da agressão aos índios capixabas, participasse e elogiasse a posse de um índio na chefia de Estado (na Bolívia).
Tudo isso é imoral e lamentável.
Foi assim, ou mais, o que aconteceu no dia 20 deste mês.
Mas vêm aí as próximas eleições, prezado leitor!
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