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Foto: Divulgação
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| "Agora vejam o que eu faço com esse performer..."
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Eu bem queria continuar falando sobre videogames, mas o atual estado das coisas me obriga a fazer alguns comentários sobre arte contemporânea. Tenho preguiça de citar nomes, e eles também não merecem, mas você com certeza sabe de alguém que comete esses erros. Hoje em dia, para virar artista, basta passar um trote na imprensa cearense, ser censurado pelo ACM ou tomar um processo da Lumière. Acredite, aconteceu até comigo.
Ninguém se dá conta do exato momento em que a /estesis/ foi substituída pela /ousadia/, mas realmente aconteceu. Fato é que, no baile da pós-modernidade, prolifera uma artezinha vulgar que se impõe pelos decotes selvagens, como se estivesse num outdoor da Duloren. Uma espécie de /arte baranga/.
Quando você encontra arte baranga no salão, não é difícil reconhecer. Ela é a que usa calça da gang, salto plataforma e top colorido. O /o quid esse/ da arte baranga é uma calcinha de renda vermelha que escapole pelo cós.
Aí, se você resolve ser simpático e por educação lhe avisa que a braguilha está aberta ou as axilas por depilar, um abraço. Ela se despeja no seu colo como uma torta de creme gorduroso, faz beicinho e balbucia, num terrível sotaque carioca, qualquer coisa sobre o percurso do artishta, Foucault, a ixtética do /fake/ e seu novo penteado. Tudo tão caro, tão cheio de cifras e tecidos finos - mas, por deus, como lhe cai mal!
Você se distancia meio zonzo e passa o resto da noite sem conseguir desviar o olhar, espantado, mas evita se aproximar novamente por causa do bafo de cachaça que queima suas narinas.
A verdade é que o pecado da arte baranga não é ser feia e sem graça. Se ela fizesse um curso de etiqueta e soubesse se portar, ainda lhe restariam alguns brios, distinção, a elegância. Talvez até arranjasse um bom marido contador
Mas não adianta, ela não se respeita. Descolore o cabelo, se fantasia e passa rebolando, exibindo sem pudores seu cofrinho. Vai ficar a festa inteira assediando o garçom atrás de mais uma dose, e no final da noite invariavelmente estará dançando funk em cima das mesas.
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