Vitória (ES), edição de 03 de fevereiro de 2006

Direitos Humanos quer notificação
da OEA ao Ministério da Justiça



Paulo Rogério

"Preservar a vida da doutora (Maria Aparecida) Denadai, é essencial para o julgamento do processo que corre na Justiça. Nós queremos que a OEA tome a mesma atitude da Anistia Internacional", afirmou o presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos (CEDH), Isaías Santana Rocha (foto). Ele reafirmou que o assassinato de Marcelo Denadai, ocorrido em 2002, ficará insolucionável.

Na tarde desta sexta-feira (3), a diretora do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), Beatriz Affonso, ouviu relatos de representantes dos direitos humanos no Espírito Santo sobre o assassinato ocorrido há quase quatro anos. A entidade de Beatriz tem ligação direta com o organismo intercontinental - Organização dos Estados Americanos (OEA).

Marcelo Denadai investigava prestadoras de serviço às prefeituras do Estado. O levantamento do advogado apontou o envolvimento de 12 empresas em esquemas de fraude, lavagem de dinheiro e agiotagem. Indícios do assassinato de Denadai apontam Sebastião de Souza Pagotto como mandante.

Apesar da aparente morosidade, no processo que investiga o assassinato de seu irmão, a advogada Maria Aparecida Denadai afirmou em entrevista nesta quinta-feira (2) que acredita nos órgãos competentes no Estado e na esfera federal. Ela é a única testemunha do processo que ainda vive.

Contrariamente, nesta sexta-feira (3), o presidente da CEDH reafirmou o discurso desacreditado, em relação às autoridades do Estado. "Esse crime infelizmente não será elucidado. O fato envolve interesses escusos. Praticamente todas as testemunhas foram assassinadas, só existe mais uma (Aparecida Denadai) e a resposta das autoridades locais não foram à altura dos acontecimentos. Nada me tira da cabeça que o resultado do processo será parcial", afirmou Isaías Santana.

O policial militar Dalberto Antunes Pereira, acusado de executor, está preso no Quartel da PM em Maruípe, Vitória. Ele espera por julgamento - o soldado está preso há quase 1.350 dias. Pereira foi encarcerado no dia 19 de abril de 2002, quatro dias após o assassinato, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Recentemente um pedido de hábeas-corpus lhe foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os envolvidos no crime que já morreram (peças chave para elucidação completa) estão o comerciante Leonardo Maciel Amorim; o ex-tenente da PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira; o comerciante Eduardo Victor Vieira, e o mecânico Carlos Alberto Almeida.

Alexandre Martins e Grampo

A federalização do processo que apura o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho e o grampo telefônico feito na Rede Gazeta de Comunicações, também foram os assuntos discutidos na tarde desta sexta-feira (3), com a representante da Cejil.

"O assunto central seria o grampo, mas como um tem ligação direta com o outro crime é impossível não falar sobre o processo da morte do juiz Alexandre. No Estado, dificilmente o caso passará de onde está, seria necessário mais detalhes, a fim de desmantelar a rede do crime organizado no Espírito Santo", disse Isaías Santana.