Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Balarini: um socialista com uma
visão clara do cenário político de 2006





Cristina Moura


"Podemos praticar atos nobres
sem ter de dominar a terra e o mar."
(Aristóteles)

Ele gosta do cargo que ocupa, como vice-prefeito de Vitória. Sebastião Balarini assume que gosta do seu primeiro mandato ou da sua primeira aparição na política, de fato. Ele também é presidente do Diretório Municipal do PSB, partido que revive mais uma edição histórica, ao lado do PT.

A parceria não significa que dê certo nas eleições deste ano. Nesta entrevista, Balarini traça algumas possibilidades para as coligações no Estado, dentro do clima de derrubada da verticalização e os nomes lançados informalmente para a oposição.

Na avaliação do vice-prefeito, duas certezas se aproximam: a reeleição do governador e a eleição do deputado federal Renato Casagrande para o Senado. Se concretizada esta última possibilidade, Balarini também coloca o seu nome à disposição do partido para assumir uma vaga na Câmara dos Deputados. Por enquanto, ele perece viver uma tranqüila expectativa.

Século Diário: - Qual a sua avaliação sobre o cenário que está sendo preparado para as eleições deste ano?

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
Sebastião Balarini: - Começando pelo governador, pelas últimas indicações, ele é candidato à reeleição. Recentemente, nas últimas entrevistas que ele deu, uma na TV Vitória e outra no Bom Dia Espírito Santo, na Gazeta, ele coloca que só vai definir em junho, julho... após as convenções. Ele dá indicação que não é candidato ao Senado ou a mais nada a não ser à reeleição. Para ele ser candidato a qualquer outro cargo, ele terá que se desincompatibilizar em abril. Então, quando ele dá essa indicação, significa que, para ele hoje, seria a reeleição. Ele pode até mudar de idéia. Mas ele deve estar trabalhando com o cenário da reeleição. Se ele ficar no governo, ele fica com duas possibilidades: ser candidato à reeleição ou não ser candidato. Ele pode estar colocando isso, mas também ninguém acredita, pelo menos não parece. Lógico que na política, ele é governador, bem cotado como ele está, com possibilidade de reeleição ou de se eleger para outro cargo. Ele vai ficar sem mandato por opção?... Isso só acontece quando a pessoa não tem possibilidade de se candidatar à reeleição ou por algum problema sério, que não parece ser o problema do governador. Tudo indica que não. Então, acho que, começando pelo governador, o cenário é o da reeleição.

- O senhor acredita que seja "fácil" para ele?

- Olha, nenhuma eleição a gente pode dizer que seja fácil, ainda mais em começo de mandato. Ainda existe tanto tempo para isso, dez, nove meses... Ora, em nove meses nasce uma criança... (risos). Então, se muda muita coisa. Nós já vimos aqui no Espírito Santo, o candidato estar bem cotado e candidato com a cotação baixa... ganhar. Eu me lembro, por exemplo, do Albuíno Azeredo. Eu era assessor dele. Lá pra abril, maio, ele tinha dois por cento de intenção de voto... E foi eleito! Então, não dá para dizer que vai ser fácil, mas que o governador está bem cotado, bem plantado, vem apresentando um bom trabalho. Tem alguns problemas, ele sabe disso, como a questão da Segurança Pública. Ele sabe que é complicado, que é um problema em nível nacional, é um problema que você precisa de mais tempo para resolver. Mas, de todo jeito, ele é cobrado. Há ainda alguns problemas na Saúde. Ele está investindo muito na Saúde, mas ainda há problemas. Há alguns flancos ainda. Está muito cedo para dizer que ele vai tentar, mas certamente dá para dizer que é o grande favorito dessa eleição.

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
- Quem na oposição poderia se lançar?

- O que fica aí é o que está mesmo na mídia, alguém do PDT, um do PDT, Sérgio Vidigal ou Max Mauro. Pode até ser Max Filho, mas eu acho difícil. A gente até torce porque o vice do Max (Maurício Luiz Gorza) é do PSB. Mas, tem que pensar. Tem que pensar, não é? Ele teria que deixar a prefeitura em abril. Eles estão discutindo sobre a realização da convenção antes, exatamente por isso. Pelo que tenho acompanhado, pode sair daí. Mas o PT pode ter candidato, Cláudio Vereza pode ser candidato, é companheiro nosso. O PSB tem trabalhado muito, tanto como o PDT, quanto o PT. Nas eleições passadas nós fizemos dupla, principalmente na Grande Vitória. O PT elegeu dois em grandes municípios, Vitória e Cariacica, e o PDT, na Serra e em Vila Velha. Quatro vices só do PSB. Então, mostrou, assim, uma junção de forças muito grande. PT, PDT e PSB. Essa aliança, com a queda da verticalização que permite mais facilmente essas reflexões no Estado. De todo jeito, tem alguma dificuldade, principalmente por causa da posição do PDT frente ao governo Lula. Fica difícil fazer um palanque aqui, PSB, PT e PDT com uma posição de oposição muito forte em Brasília, de uma oposição à presidência da República, embora o PDT em nível nacional ainda não tenha definido uma candidatura firme. O Cristóvão Buarque tem se lançado, mas ainda não tem tentado uma idéia muito firme. Com essa ou sem essa candidatura, como o PDT tem feito uma oposição muito forte ao governo Lula, fica complicado aqui, mesmo caindo a verticalização. PSB e PT, não, ao contrário. O PSB apoia o governo Lula, apoiou desde o começo em nível nacional, continua apoiando, e com muita possibilidade e caindo a verticalização, vai apoiar formalmente
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