Grampo
nunca mais




Importante medida tomou o governo federal, através da Secretaria de Direitos Humanos, criando uma comissão para apurar o grampo em A Gazeta, um episódio que acabaria por achincalhar mais uma vez a imagem pública do Espírito Santo e envolveu o governo do Estado numa série de trapalhadas que culminou por derrubar o então secretário de Estado da Segurança Pública, o delegado federal Rodney Miranda.

O caso teve repercussão internacional e deixou mal, internacionalmente, não apenas o Espírito Santo como também todo o País. A sociedade civil organizada, em níveis nacional e internacional, protestou veementemente. Mesmo aqui neste país da Grampolândia, paraíso da arapongagem, jamais se chegara ao acinte de grampear-se uma empresa de Comunicação, o que se configura num inconcebível atentado a uma das mais importantes e acreditadas instituições brasileiras: a imprensa.

Por entre o folclore já gerado no Estado pelo aparelho chamado Guardião, destinado em tese a gravar conversas de suspeitos com autorização de Justiça, já ninguém acredita nas apurações do delegado Joel Lyrio Jr., colocado à frente das investigações pelo governo do Estado. Da mesma forma, a CPI do Grampo instalada na Assembléia Legislativa sugere fortemente que a montanha vai parir um rato.

Assim, considerando-se a tradicional lentidão bovina dos petistas, já tão conhecida dos brasileiros, parecia que a sujeira que até agora não tem definidas nem sua digital nem sua assinatura, seguiria para debaixo do tapete, onde se homiziam outros tantos crimes ditos insolúveis no Estado. Foi preciso que a pressão internacional chegasse a Brasília.

Venham as investigações. Venham com segurança, competência, isenção e disposição para ir fundo na apuração daquele crime que agrava e envergonha toda a sociedade capixaba.

Ainda que, para isso, reputações de donos da moralidade e do combate ao crime organizado, mercadologicamente construídas, precisem ruir. Que venham abaixo, para honra, glória e manutenção das instituições democráticas brasileiras. E em memória de quantos e quantas sucumbiram à tortura ou foram sumariamente assassinados pelos ditadores de plantão, nos anos de chumbo.

Isenção total para a nova comissão. Imprensa livre. Grampo nunca mais.
Estamos de olho.