Desde o final de 2005 os professores da rede municipal de Vitória vêm tentando negociar com a prefeitura. Contudo, a falta de um acordo promete marcar o início do 2º ano da administração João Coser (PT). Na manhã desta quarta-feira (8), os servidores da educação provaram que estão dispostos a lutar. Eles fizeram um ato público em frente à prefeitura, que culminou com o fechamento de parte da Avenida Beira Mar.
O protesto, organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), teve início por volta da 9h30 e contou principalmente com professores, mas também foi acompanhado por outros servidores da categoria. Os manifestantes colocaram uma mesa de som em frente ao prédio da prefeitura municipal e espalharam diversas faixas com palavras de ordem. Por volta das 11h30, os servidores tomaram parte da avenida Beira Mar, causando um longo congestionamento no sentido Bento Ferreira - Centro de Vitória.
A questão principal é que os manifestantes querem a recuperação das perdas salariais calculadas em mais de 115%, inclusive, em um dos cartazes, os servidores criticavam a falta de políticas salariais com os seguintes dizeres: "Abono não é política salarial". Mas a prefeitura já havia afirmado ser impossível recuperar defasagens de anos anteriores e prometeu à categoria um reajuste de 3% a partir do dia 1 de abril.
Contudo, segundo a secretária de Política Sindical do Sindiupes, Madalena Alcântara, o índice é muito pequeno e a categoria cansou de esperar e quer respostas imediatas. "É sempre assim. Eles começam os anos 'embromando' a gente e quando vamos ver o governo já passou e nós ficamos esquecidos. Chega de tantos 'panos quentes'. Nós queremos soluções práticas", desabafou.
Madalena Alcântara mostrou um quadro comparativo das categorias da prefeitura, no qual um professor em início de carreira recebe o equivalente a R$ 614,55 para trabalhar 25 horas semanais, enquanto os médicos e outros profissionais iniciantes recebem cerca de R$ 1.000,00 para um regime de 20 horas.
A representante do Sindiupes explicou ainda que, além da questão do reajuste salarial, eles reivindicam o fim da discriminação contra os aposentados, a volta do valor percentual de 35% das verbas para educação, uma vez que o repasse atual está em 25%, redução da jornada de trabalho e do número de estudantes por turmas e a nomeação dos concursados.
Mesmo sabendo que a prefeitura está ciente das reivindicações, os servidores protocolaram um documento no órgão, no qual descrevem todos pedidos. Segundo Madalena Alcântara, as manifestações só vão parar quando eles tiverem uma resposta satisfatória. "Às 16 horas desta quarta-feira (8), voltaremos a fazer um novo protesto em frente ao prédio da prefeitura. Já quinta e sexta-feira, vamos realizar reuniões nas escolas com os alunos e com os pais, nos três turnos, avisando-os, que se não houver acordos, as aulas estão suspensas por tempo indeterminado".
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