Vitória (ES), edição de 08 de fevereiro de 2006

Parentes, amigos e fãs dão adeus
ao músico capixaba Valdecir Lima



Stephanie Oliveira


Tristeza e surpresa. Esses foram os sentimentos relatados por aqueles que acompanharam o enterro do músico e jornalista Valdecir Lima, na manhã desta quarta-feira (8). Sob aplausos, o músico que morreu por conta de um ataque de abelhas enquanto caminhava na Barra do Jucu, foi enterrado no cemitério do Bosque, localizado em Alvorada, Vila Velha.

Inconformados com a perda, as pessoas que estavam no local se demonstraram surpresas com a morte repentina do músico. A esposa de Valdecir, Ana Maria Vieira, foi uma das que não queria acreditar no que estava acontecendo. Muito abalada, ela disse que ele estava muito alegre e animado para fazer a caminhada. "Foi um choque para gente. Ninguém esperava. Você sai cedo para fazer uma caminhada e quinze minutos depois você tem uma notícia assim. Ele estava cheio de planos", disse.

O único filho de Valdecir, que inclusive herdou o nome do pai, quase não conseguiu falar. Emocionado, Júnior, 25 anos, confirmou a vivacidade do músico. "Ele era muito dinâmico, sempre envolvido com mil coisas, a gente não entende como isso foi acontecer. É uma fatalidade", afirmou.

Outro que estava muito chocado com a perda foi o também músico Jorge Freire. Amigo e companheiro de Valdecir, Freire esteve presente na maior parte da vida do músico. "Eu trabalhei junto com ele durante 30 anos na banda. Valdecir era uma pessoa que levava a música para o coração das pessoas com alegria", afirmou.

Alguns políticos também estiveram no cemitério para se despedir de Valdecir e dar apoio à família. Dentre eles, estava o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PDT), que fez um discurso emocionado ao final da cerimônia. "Esta é uma perda dura, não só para Vila Velha, mas para todo o Estado e para o País. Agora, nos resta a dor da saudade", disse. O prefeito afirmou ainda que Valdecir era uma pessoa muito presente e que todas as segundas-feiras ele participava das assembléias municipais. "Ele sempre trazia reivindicações para melhorias dos bairros, principalmente a Barra do Jucu, onde morava, e também Paul e Vila Batista, locais em que ele foi criado", concluiu o prefeito.

O deputado estadual, Cláudio Vereza (PT), também foi ao cemitério prestar condolências à família de Valdecir. Contudo, o parlamentar, que é cadeirante, não conseguiu chegar próximo ao túmulo do músico, por conta das estreitas passagens do local. Abatido, ele demonstrou tristeza com a perda do vizinho. "Valdecir era parte integrante da Barra do Jucu, onde escolheu para viver os últimos 13 anos. Ele é aquele tipo de pessoa que não dá para dissociá-lo do local. Éramos vizinhos, e sempre víamos ele atuando, tanto na música quanto no jornalismo", disse.

Carreira

Valdecir Lima nasceu em 29 de abril de 1941. Começou ainda criança se apresentando em parques de diversões de Vitória. No rádio, no Espírito Santo, cantou pela primeira vez quando tinha 15 anos. Não demorou muito para que Lima ficasse amigo de Altemar Dutra, com quem montou o grupo musical Os Cancioneiros. O músico também já foi contratado pela Rádio Nacional, o mais importante veículo de comunicação do Brasil na década de 50. Ele chegou a trabalhar durante anos em Buenos Aires e Nova York. Foram 15 discos lançados.

O músico chegou a tocar numa festa para o presidente João Goulart e a primeira-dama Teresa Goulart. Na época do vinil, gravou 12 discos entre Brasil e Argentina. Contudo, a fama não mudou o jeito simples de Valdecir que, atualmente, apresentava-se com freqüência em bares e restaurantes de Vila Velha, município escolhido para divulgar suas serestas.

"Nos dias atuais o estilo musical de Valdecir, a seresta, está esquecida, mas ele sempre dava o melhor em todas as apresentações. Era essa simplicidade que o fez ser o maior", disse o cantor Lula de Vitória, durante a despedida de Vadecir na manhã desta quarta.

Como aconteceu

O músico e jornalista Valdecir Lima, 65 anos, morreu na manhã desta terça-feira (7) na Barra do Jucu, Vila Velha. Segundo informações, ele estava caminhando na praia quando desmaiou e as testemunhas afirmaram que ele se debatia muito por conta de um enxame de abelhas.

Valdecir foi socorrido e levado para o hospital Santa Mônica, em Vila Velha. Ele já chegou morto na unidade. Os médicos do hospital e nem a família do músico confirmaram a causa da morte. Por conta disso, o corpo dele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde vai passar por uma necropsia. Contudo, tudo indica que Valdecir teve uma reação alérgica ao veneno das abelhas e morreu de choque anafilático, que se configura como a perda total dos sentidos após exposição a alguns tipos de substâncias.