Semana passada eu mencionei sobre sites que costumam divulgar autores locais. E faltou citar o exemplo capixaba, no ar desde 2003. O site Poetas Capixabas abriga 656 (!) autores, das mais diversas origens. Talvez seja o mais amplo mapeamento de autores capixabas já realizado, embora restrinja-se apenas a poetas. Independente de se gostar ou não desse ou daquele autor incluído, o importante é reconhecer que o site assume o papel de mais amplo banco de dados sobre poesia no estado e, melhor ainda, disponível para consulta pública em qualquer parte do planeta.
Estão todos (ou quase todos) lá: antigos ou contemporâneos, acadêmicos ou vanguardistas, trovadores e transgressores... uma série de biografias acompanhadas de poemas, atualizados com a colaboração dos próprios internautas. E, se ao visitar o site, o leitor sentir a falta desse ou daquele autor, é só acessar a seção "Espaço do leitor" e preencher um formulário com os dados de quem está faltando (o mesmo serve para atualizar a lista de títulos publicados e participações em coletâneas).
O site é uma louvável iniciativa de Thelma Maria Azevedo, nascida em 1931 em Florianópolis. E o mais espantoso é que Thelma compilou esse imenso banco de dados sem patrocinador algum, privado ou público.
Isso faz saltar aos olhos o absurdo que é a total ausência de bancos de dados sobre a cultura local e nacional mantidos por órgãos públicos. Mapeamentos, disponibilização de resultados em sites e catálogos impressos, nada disso é realizado de forma ampla e sistemática (esporadicamente, ocorrem iniciativas de médio e curto alcance, como o exemplo do site 10 maes vídeo, voltado para a produção audiovisual, ou bancos de dados oriundos de iniciativas particulares). Carecemos de mecanismos que não só dêem visibilidade à produção cultural de municípios, estados e do País, como também de meios de atualizar esses dados constantemente. Meus caros, a discussão sobre a tal "identidade cultural" começa justamente pelo amplo conhecimento da produção cultural de um determinado povo em determinada época (para depois cruzarmos a contemporaneidade com a tradição). Fechar os olhos para isso é admitir em caps lock que se concebe a cultura como sobremesa. E sobremesa, até onde eu saiba, só serve pra criar barriga. Cultura, pra mim, é tão essencial quanto o arroz e o feijão.
O mais engraçado foi que eu descobri esse site através do Google. Sim, eu tenho o hábito de periodicamente jogar o meu nome no Google, "pra ler o que andam escrevendo de mim por aí" (hehehehe). E qual não foi minha surpresa ao descobrir que eu era um verbete no site Poetas Capixabas, e que a página ainda continha uma curiosa seleção de textos do meu primeiro livro? Sem contar que é bem interessante tentar adivinhar os motivos que levaram à escolha desse ou daquele texto pra constar no site...
Experimente dar uma passeada pelo site, quem sabe você não consegue garimpar algum autor interessante do qual você nunca ouviu falar (ainda)? E quem sabe, daqui a algum tempo, a gente não encontre por aí outros sites mapeando nossa produção em outras áreas (artes plásticas, música, teatro, entre outros)? Até mesmo pra gente poder separar o joio do trigo e preferir a obra de fulano ou beltrano, precisa-se de conhecer a produção local e nacional, e os bancos de dados são ferramentas fundamentais para se iniciar toda e qualquer pesquisa.
Saiba mais!
Clique aqui e visite o site Poetas Capixabas
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