Não estou entendendo os dirigentes sindicais do Estado indiferentes, como estão, ao dinheiro do FAT, do trabalhador, que a juros baixíssimos, o BNDES entregou à Aracruz Celulose. É humanamente impossível que eles não corram atrás de melar essa transação de favorecimento em pleno governo Lula. Quer dizer, em pleno governo de um sindicalista.
Especialmente porque este dinheiro, a juros tão baixos, vai ser empregado para comprar terras para a Aracruz Celulose plantar eucalipto. Vão comprar 90 mil hectares, de terras agricultáveis. Estimativa feita pelo MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) dá conta de que com esse empréstimo a Aracruz vai tirar da lavoura cerca de 80 mil trabalhadores.
Uma nova tragédia, entre outras que a Aracruz já praticou no campo. O que dói na carne, no coração, é ver o dinheiro do trabalhador servindo para desempregar o próprio trabalhador. É necessário que as entidades dos trabalhadores reajam. Mas tem que reagir para valer. Tem que ir no ministro do Trabalho, que tem o sindicalista Luiz Marinho - um dos melhores sindicalistas -, e travar este empréstimo.
Botar essa grana toda, com esses juros baixíssimo! A Aracruz vai pagar, por R$ 297 milhões de empréstimo, juros que vão de 2% a 4% ao ano. Devem estar se espantando os trabalhadores que quando vão ao banco arrumar um empréstimo, para tapar buraco no orçamento, e pagam 5% ao mês.
Embora eu saiba que o presidente Lula, velho e querido companheiro de vida sindical, não vai tomar conhecimento desse comentário, não quero deixar de falar para ele, assim mesmo. Companheiro, não dá para permitir que o imposto sindical, que abastece o FAT, continue sendo usado contra o próprio trabalhador. Que Getúlio (o ex-presidente Getúlio Vargas) tenho usado contra interesses dos trabalhadores, o mesmo passou-se o presidente Juscelino, e chegou nos ditadores militares, vá lá, mas contigo, presidente, jamais. Endireita isto.
Espero também que enquanto Lula não venha, as entidades sindicais, puxada pela CUT, entrem em campo e atuem para evitar, sobretudo, que o dinheiro do trabalhador sirva para desempregar trabalhadores, como disse há pouco. Mas enquanto isso, que a CUT puxe um movimento contra este privilégio concedido à Aracruz. No caso presente, é explorar o trabalhador com o seu próprio dinheiro.
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