Nessa questão do grampo de A Gazeta, que está em vias de ser investigado pelo governo federal, as apurações deveriam também ser estendidas às empresas que montaram seus aparelhos de escuta, a exemplo da Escelsa e Aracruz Celulose.
Relator da CPI do Grampo na Assembléia Legislativa, o deputado estadual Euclério Sampaio, do PDT, já se expressou favorável à extensão das apurações às empresas privadas. Pois o próprio Euclério confessou as dificuldades da CPI em investigar as empresas.
A CPI pediu os documentos referentes às empresas, mas Rodney Miranda, quando secretário de Segurança, negou sob alegação de sigilo de Justiça. Procedimento descabido, convenhamos, dado ao risco de estarem empresas como a Aracruz e a Escelsa grampeando os outros. A Aracruz teria doado o aparelho ao Ministério Público Estadual (MPE), o que é ainda mais grave, mas a versão não é confirmada, pode ainda estar com ela o equipamento.
Importante no caso do grampo das empresas privadas, que o os órgãos de segurança do Estado não tenham ainda tomado medidas para impedir o seu uso. E ainda por cima se negarem a dar informações à CPI. Mais doloso ainda é a CPI aceitar a justificativa de Rodney sem reagir como devia. Que mostra a sua frouxidão para lidar com os poderosos.
Imagine o leitor, o que não pode estar fazendo com um instrumento de escuta dessa natureza a Aracruz Celulose, que vive em confronto direto com os índios e os quilombolas? Boa pergunta para os órgãos de segurança responderem. A Aracruz vive apertada pelos índios e os quilombolas que querem de volta os seus territórios em poder dela.
Índios e quilombolas, principalmente entre suas lideranças, possuem seus telefones celulares e falam entre si, mormente agora em que os quilombolas demarcaram suas áreas no norte do Estado e os índios estão enfrentando a empresa na busca do seu território.
A Aracruz Celulose, então, que vive de privilégios do governo estadual e do governo federal, resiste, com suporte da elite financeira e política, a devolver as terras quilombolas e indígenas, principalmente os índios. Não pode ficar com esse mecanismo de escuta impunemente.
Imaginem se os índios e quilombolas, nessa guerra sem trégua com a Aracruz, tivessem seus guardiões. A essa altura já estariam todos na cadeia e execrados pela mídia. É essa realidade capixaba que faz a impunidade às multinacionais em seus territórios e nos leva a crer que o Estado está próximo de virar propriedade privada da Aracruz Celulose.
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