Cilada para PH





Rogério Medeiros

A candidatura do deputado Cláudio Vereza ao governo pelo PT, é uma ameaça de radicalização das eleições também no Espírito Santo, à semelhança do que está marcado para ocorrer em nível nacional, entre PSDB e PT, para a presidência da República.

Seria juntar o Vereza no Lula para bater de frente com Paulo Hartung no PSDB, que hospeda o maior contingente de hartunguetes no Estado. Ninguém no PT espera que PH acompanhe a candidatura de Lula no Espírito Santo e muito menos que possa ficar neutro entre um candidato do PSDB e o Lula.

A radicalização para a presidência da República tende a ser brava e é nela que Vereza vai cavalgar. Essa é a expectativa da candidatura do PT, que recaiu também em Vereza, pela boa imagem que desfruta no Estado. Neste momento em que se prepara uma festa (sexta-feira, na celebração dos 26 anos de PT), Vereza vai ganhar as ruas para intrometer-se entre a candidatura de PH e a do PDT.

A radicalização entre a candidatura do Lula e a do PSDB já tomou conta do País e tende a ser levada até a hora de se depositar o voto nas urnas. Não há qualquer possibilidades de que não ocorra. O PT regional vai montar a candidatura de Vereza em cima dela e radicalizar o processo local, com o objetivo de tomar do PDT o lugar de opositor a PH.

E tem chance. Especialmente se o candidato do PDT for o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, conhecido pela sua postura conciliatória. Um anti-choque. Portanto, a candidatura de Vereza é, de fato, o fenômeno, ou seja, a surpresa das eleições para o governo. E a julgar pelos últimos fatos, reunião explosiva do PDT e lançamento do Vereza, a oposição resolveu adentrar a floresta ciente de que o leão já está manso.

É, pode ser. A verdade é que pegaram PH de surpresa. Basta saber como ele vai reagir depois desse cerco. Acreditar, no que disse o seu porta-voz, o jornalista Sebastião Barbosa, de que ele só vai cuida das eleições a partir de junho, é acreditar no Saci. Para quem conhece o governador, a essa altura, ele já deve estar no laboratório buscando fórmulas para conter os seus adversários.



Fragmentos
1 - Pensar que o governador Paulo Hartung possa optar ainda pelo Senado, é admitir de que ele pirou politicamente. É abrir caminho para a oposição levar o governo, pois, em matéria de candidato alternativo, ele ciscou o tempo e não produziu nenhum. Os nomes que colocou na rua não foram devidamente trabalhados. A garantia continua nele, especialmente agora, quando a oposição se enche de coragem para enfrentá-lo nas urnas.

2 - O jogo do governador, que vinha sendo mantido até agora, de segurar as eleições, consequentemente, a oposição, por conta de sua indefinição quanto o Senado ou governo, acabou. Tanto o PDT como o PT assumiram candidaturas ao governo, tendo ele como opositor.

3 - Uma opção agora para o Senado representaria o abandono da disputa por causa das candidaturas do PDT e do Vereza. Qualquer outro nome, que não o dele, que for lançado à disputa, entra em baixa, como recurso de derrota.