Vitória (ES), edição de 09 de fevereiro de 2006

Gratz, Nogueira e Juca Alves
depõem no Fórum de Vitória



Paulo Rogério
Foto capa: Guinaldo Nicolavky

O ex-presidente da Assembléia José Carlos Gratz, o ex-diretor da Casa, André Nogueira, e o ex-segundo secretário da Mesa Diretora Juca Alves, prestaram depoimento ao juiz Marcelo Jones Souza Noto, da 2ª Vara Criminal de Vitória. Os depoimentos são relativos a um esquema de desvio de verbas montado na Assembléia para o financiamento da campanha eleitoral de 2002.

A nova denúncia foi oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) e é mais um desdobramento do chamado esquema Lineart, que desviou milhões da Assembléia durante a gestão de Gratz.

Gratz e André Nogueira deixaram a Delegacia da Praia do Canto, aonde cumprem pena por desvio de verbas na Assembléia há 14 meses, às 12h50, depois que dois representantes do Fórum de Vitória entregaram a ordem para prestarem depoimento. Ao deixar o local, Nogueira fez um desabafo à imprensa e fez acusações, dizendo que é apenas uma peça de uma grande engrenagem.

"Fizeram de André Nogueira um monstro, da família Nogueira um monstro, para encobrir várias pessoas, que agora estão gozando férias em Guarapari. Zé Ramos, por exemplo, não tem inquérito nenhum sobre ele. Minha família não teve envolvimento nenhum com esse esquema", disse.

Gratz foi o primeiro a depor. Segundo seu advogado, Homero Mafra, ele negou o envolvimento no esquema. André Nogueira foi o segundo a depor.

Enquanto aguardava sua vez, Juca Alves falou sobre a acusação de ter assinado dois cheques de R$ 10 mil, cada, para financiamento de campanha de Gratz em 2002. Ele disse que nunca assinou cheque algum para esse fim, e que a assinatura apresentada na denúncia é falsa.

Tanto Gratz quanto André Nogueira já foram condenados pelo juiz Marcelo Loureiro, da 3ª Vara Criminal de Vitória, em fevereiro de 2005, a 15 anos e 11 anos e seis meses de prisão, respectivamente, no processo em que são acusados de participar do esquema que teria superfaturado em R$ 494 mil o seguro predial da Assembléia, em 2001.