Vitória (ES), edição de 09 de fevereiro de 2006

Moradores da Enseada do Suá querem
PDU igual ao da Praia do Canto



Anderson Cacilhas
Foto capa: Arquivo Século



Moradores da área residencial da Enseada do Suá querem mudar o Plano Diretor Urbano (PDU) da capital. A reivindicação se refere ao gabarito (pavimento) das construções naquela área. Hoje, o PDU prevê construções com no máximo dois andares e 7,5 metros de altura. A nova proposta é equiparar a área com a Praia do Canto.

A região que seria atingida pela mudança fica entre as avenidas Nossa Senhora dos Navegantes, Saturnino de Brito e a rua Alaor Queiroz de Araújo, entra o Mc'Donalds e a saída da Terceira Ponte. Além do aumento de pavimentos, eles querem elevar o coeficiente de aproveitamento (índice que determina a área que pode ser construída em cada terreno), de 1,2 para 1,95.

A assistente social Marvel Furtado, moradora da Enseada, confirmou que os moradores querem o mesmo PDU da Praia do Canto. A medida, caso aceita, abriria espaço para a construção de edifícios com grandes gabaritos na área.

Segundo a moradora o bairro perdeu o caráter residencial. Além disso, a privacidade dos moradores foi invadida a partir do momento que os edifícios se ergueram em volta das casas.

Os moradores se organizaram e procuraram a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade para pleitear a mudança. O secretário da pasta, Kléber Frizzera, entretanto, disse que mudanças não estão nos planos da prefeitura. "As discussões já foram feitas com a comunidade e a posição da prefeitura é de mandar o projeto da maneira como está para a Câmara", disse.

Ele ressaltou que os únicos que têm autonomia para mexer no PDU agora são os vereadores. Os moradores da Enseada sabem disso e já começaram a fazer contatos para viabilizar a mudança.

O presidente da Associação dos Moradores da Praia do Canto (AMPC), vereador José Carlos Lyrio Rocha (PSDB), foi procurado para dar apoio político à idéia. O vereador, porém, já manifestou a posição contrária da AMPC com relação às pretensões de modificações no Plano Diretor.

Entretanto, Lyrio Rocha admitiu que as discussões do Conselho Municipal do Plano Diretor Urbano (CMPDU) ainda não foram fechadas. Ele ressaltou que os encontros com a comunidade já foram encerrados e que a proposta de mudança não foi levantada nem na reunião realizada pela AMPC e nem na audiência pública promovida pela prefeitura de Vitória na região.

Vizinhos são contra

Quem não está gostando nada da proposta de mudança são os moradores de Santa Helena. Eles estão preocupados com a perda da visão privilegiada da baía de Vitória, da qual desfrutam atualmente do alto de luxuosos edifícios. Assim que souberam do pleito da Enseada, representantes do bairro procuraram a AMPC para evitar o apoio à idéia dos vizinhos.

A gastrônoma Jaqueline Piras, moradora de Santa Helena, disse ser contra a mudança. "Todos no edifício onde moro são conta. Desde que o aterro foi feito esta mudança nunca foi prevista. As ruas não foram projetadas para isso. Se for preciso tomaremos medidas judiciais", explicou.

Merval Furtado, defensora da mudança, foi enfática quanto à vista da paisagem: "Assim como os edifícios de Santa Helena tiraram a vista de outras residências, isso poderia acontecer um dia com eles".