Vitória (ES), edição de 10 de fevereiro de 2006    
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Entrevista - Sua majestade, Ângela



Cristina Moura


  
Foto: Divulgação
  
Ainda na infância, ouvi, pela primeira vez, "Babalu", "Cinderela" e "Mamãe", na voz maviosa de Ângela Maria. Não era uma voz qualquer, bem afinada ou compatível com a melodia. Era de alguém que se entregava ao que fazia, como se a alma cantasse junto. Em 1996, a comemoração aos cinqüenta anos de carreira da cantora rendeu um belo trabalho.

Ouvir Ângela, ao lado dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, é de tirar o fôlego mesmo. Algumas canções, eu não resistia: repetia pelo menos umas três vezes. Neta semana, quando recebi a pauta para bater um rápido papo com Ângela, duvidei: será que eu conseguiria? Na terça-feira, por volta das 10 horas, liguei para a produção. Uma moça educada, que se chamava Célia, atendeu alegremente e disse para eu ligar às 14 horas.

Diante de tantos atropelos enfrentados pela vida de repórter, não resisti e continuei duvidando. A dúvida é fruto de embromações de muitas produtoras, que gostam de cozinhar a paciência do repórter, que liga em busca de informação e, direta ou indiretamente, está pronto para divulgar o trabalho do artista. A maioria diz que o artista não pode atender.

Às 14 horas, liguei. Outra moça, que não era Célia, atendeu. Foi por isso que eu perguntei: "Alô? Célia?" Então, do outro lado... "Não. É Ângela....", docemente. Com aquele ar maternal, confesso que meu coração acelerou um pouco. Nesta hora, a imparcialidade jornalística fica noutro plano. Quando se é fã, rola uma certa emoção, sim.

Pedi que ela falasse um pouco dos momentos importantes da vida de cantora. Ela respirou fundo. Parece ter dito a si mesma, com simpatia: "Nesses cinqüenta e quatro anos de carreira..." Mas, destacou os lances, para ela, difíceis de esquecer. O primeiro, quando foi homenageada como a Rainha do Rádio, em 1954, em concurso popular. O segundo, outra homenagem, como tema campeão da escola de samba paulista Rosa de Ouro, em 1994.

Baile dos Artistas

Neste sábado, Ângela Maria vai ser a estrela do Baile dos Artistas, às 22 horas, no Clube Saldanha da Gama, na avenida Beira-mar. A festa será conduzida pela Vitória Café Orquestra e a bateria Imperatriz do Forte. O Espírito Santo ainda é um desconhecido, aos olhos românticos da cantora. É que a beleza do Estado ainda não foi apresentada totalmente à ela, que diz sempre ter sido muito bem recebida pelo carinho do povo capixaba. Sua vinda ao Estado, para bailes e shows à noite, deixou esse desejo de descoberta um pouco silencioso.

Para o baile, pérolas vão rolar. Além de "Babalu", destacou "Gente humilde" e "Tango para Tereza". Pedi para Ângela citar alguns nomes na MPB. Mais uma vez, ela respirou fundo e admitiu que a situação era difícil. Os compositores preferidos: Chico Buarque, Djavan, Gil, Peninha... "Ah, além do imortal Ary Barroso e o nosso querido Caymmi", falou.

Das intérpretes, foi assim, nessa ordem: Bethania, Simone, "a Marrom..." (Alcione), Gal... e Ana Carolina, uma que já se declarou admiradora de Ângela. Da música, Ângela fala à vontade. Mas não é diferente em se tratando do rádio ou do cinema. Ela acredita que, apesar das novas tecnologias, a onda radiofônica ainda está viva, vivíssima, com seu público garantido. E soltou esta: "Sou fã do rádio... Pode vir o que for, o rádio nunca vai perder o seu charme."

  
Foto: Divulgação
  
Ângela Maria na capa da revista "Radiolândia", em 1957
Sobre cinema, destacou uma das suas participações: Rio Zona Norte (1957), em preto e branco, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, um dos precursores do Cinema Novo, com intensa influência do neo-realismo italiano. O que ela canta no filme: "Pretexto" e "Malvadeza Durão". A obra fez sucesso nos países comunistas. No elenco, estrelas como Grande Otelo. "Era maravilhoso e engraçado contracenar com ele. A gente ria o tempo todo...", disse.

A partir do mês que vem, Ângela Maria e seus produtores estarão planejando o pacote CD e DVD. Ela só adiantou que será uma mistura de grandes momentos com algumas composições inéditas. No telefonema, se despede com doçura: "Um beijo e um abraço para todos os seus leitores..."

Saiba mais!

Clique aqui e veja mais informações sobre o show de sábado, como ingressos e outras bandas
http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2006/fevereiro/03/cadernoatracoes/cultura/04.asp

Clique aqui e saiba mais sobre a carreira de Ângela Maria


 

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