"O político deveria ser um missionário."
Rita Lee
Italiano, ou melhor, descendente de italianos, bom de papo. O prefeito de Nova Venécia (norte do Estado) avisa logo que "política é questão de gosto". O leitor pode conferir uma conversa agradável e bem humorada de De Prá com o jornalista Rogério Medeiros, realizada no final de janeiro.
Ao que parece, De Prá estava com tudo na ponta da língua, coisa de quem sabe política até às avessas, já que praticamente nasceu aprendendo a discursar e, talvez, na infância, já entendia o que seria a arte de votar. No seu terceiro mandato eletivo, ele confabula algumas possibilidades que, para alguns, já parecem claras.
Ele diz o que pensa sem rodeios, como, por exemplo, que vota no governador Paulo Hartung seja para o que for, isto é, Senado ou reeleição. Bem, de política dizem que ele entende. É capaz de ganhar uma eleição somente andando de casa em casa, sem auxílio de qualquer outro meio de informação, como rádio, out-door, TV ou internet.
Século Diário: - Eleições 2006. O governador Paulo Hartung: candidato ao Senado ou à reeleição?
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Foto: Bernardo Coutinho
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Walter De Prá: - Deve ser. Pegar o Estado no lugar que ele pegou e viabilizar o Estado, a ponto de, neste ano, ele dispor de um bilhão de reais para ser aplicado em investimentos, tanto em termos maiores como em todos os municípios do Estado, sem distinção de cor política ou partidária, interromper esse processo agora pode até ser prejudicial para as suas pretensões. Interromper esse processo agora seria um prejuízo para o Estado. Mesmo que ele indique um outro candidato para governador, não terá o mesmo foco dentro da composição da sua assessoria primeira, não terá o mesmo foco como vem sendo desenvolvido agora. Eu entendo, e posso falar com a soberania de quem nunca foi parceiro dele, sou agora pela primeira vez e vou trabalhar... Estou feliz da vida de ser parceiro de Paulo. Ele tem sido um governador, além de competente, muito dedicado, muito prestativo, muito atencioso. Isso adquire um grau de empatia que me leva, como um político, talvez um dos mais antigos hoje com mandato executivo, senão eu. É o meu sexto mandato e quarenta anos de vida pública. Eu completo agora em 2006. Então, ele que nasceu depois que eu já estava na política há muitos anos, e foi justamente de uma forma oposta ao que eu imaginava, e começou a ocupar os espaços e todos os espaços que ele ocupou ele sempre desenvolveu muito bem. Estabeleceu algumas guerras políticas no passado, eu me recordo daquela convenção em que ele perdeu para ser candidato a governador, mas nem por isso esmoreceu. Eu gosto de pessoas que lutam, pessoas que têm determinação porque eu sou uma delas. Então, Paulo, eu entendo que, por essa gestão, pela forma como ele tem conduzido, para que não haja prejuízo para o Estado do Espírito Santo, mesmo que seja com um sacrifício, eu acho que seria interessante ele ser candidato a governador. Agora, isso também não quer dizer que, se ele vier com candidato a senador, e faça uma composição com um candidato a governador, eu deixaria de votar nele... Vou votar nele para qualquer coisa, para governador ou para senador. E vou votar num candidato que ele apresentar como alternativa para a composição, tanto dele para governador com o Senado, tanto ele para senador com o governo. Por esse motivo, eu vou apoiá-lo.
- A família o aconselha para o Senado...
- Depois de duas cirurgias como ele fez, delicadas, e superar de uma forma fantástica, voltar a ser aquele menino ambicioso de campanha... Isso, naturalmente, deixa a gente num estado de alegria muito grande. Agora, naturalmente ele também está olhando por um outro lado, que é o problema do Espírito Santo em nível nacional. Nós perdemos essa presença a nível nacional, tanto na Câmara como no Senado. O Estado sempre soltava alguém ou Ministério ou no Congresso Nacional e, lamentavelmente, nós perdemos. Paulo tem um currículo que o credencia. Se ele for para o Senado, há de desempenhar o papel de liderança nacional que o Espírito Santo tanto precisa de uma forma muito competente. Então, eu vejo por esse prisma. Seria interessante para o Espírito Santo. Eu não abandono essa idéia, mas eu acho que, do jeito que ele está fazendo um bom governo, como candidato à reeleição, o que é que vai acontecer? Nas próximas eleições para o Senado serão duas vagas. Uma, é dele. Quer dizer, ele faria o sacrifício de ficar mais quatro anos, mas, em compensação seria eleito como Senador para ficar oito anos em Brasília.
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Foto: Bernardo Coutinho
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- Dentro da tese de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), ele está 'condenado' a ser candidato à reeleição...
- É. 'Condenado' a ser candidato, até como um sacrifício de ordem pessoal.
- Mas o governador também demonstra uma certa preocupação com o segundo mandato. Olha o exemplo de Fernando Henrique Cardoso...
- Que nada... Um homem como o Paulo...? É como Walter De Prá... Esse é meu terceiro mandato e estou com mais garra agora do que no primeiro e no segundo. E Paulo vai fazer isso, vai fazer um belo segundo governo.