Vitória (ES), edição de 13 de fevereiro de 2006    
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Solução Denorex: parece mas não é
ou
Pelo menos, ainda não...



Heraldo Ferreira
Atualizado toda quinta-feira, às 16 horas


Começou nesta quinta (9) e vai até sexta (10), no Alice Vitória Hotel, o Seminário Temático do Planejamento Interativo.

Neste seminário serão apresentados os diagnósticos da região, feitos por especialistas das áreas de economia, sociologia, arqueologia, história e urbanismo, e os resultados das pesquisas de opinião pública qualitativa e quantitativa, realizadas em janeiro por uma empresa de consultoria e planejamento. O evento também contempla palestras com especialistas em desenvolvimento sócio-econômico em áreas centrais; infra-estrutura, uso e ocupação do solo; recuperação do patrimônio público; e planejamento paisagístico e ambiental.

Esses planos, pesquisas e estudos originarão o Plano Estruturador para o Centro, que definirá as ações que a Prefeitura deve realizar para recuperar a região nos aspectos econômicos, sociais, culturais e de urbanismo.

Sem querer ser estraga prazeres, quero só destacar uma incongruência ocorrida em torno deste evento. A coluna do dia 17 de novembro era sobre o projeto de (re)Vitalização do Centro que a Prefeitura da Capital estava desenvolvendo (do qual este Seminário faz parte). Falava que o BIRD iria liberar um total de 108 milhões para salvar o Centro da decadência (com todo o terrorismo que expressões como essa causa!). Lembro que demonstrava satisfação com o que, até então, tinha tomado conhecimento do projeto e destacava que ele não se limitava a apenas pintar as fachadas. Cheguei a dizer que "aparentemente este projeto quer ser mais, quer realmente valorizar a imagem do Centro, seus signos e valores". Entretanto, parece que, por enquanto, ficou só na aparência mesmo.

Não quero morder a língua, mas marcar o início do Seminário com a assinatura da Ordem de Serviço para a pintura dos Galpões da CODESA parece sintomático! Ou uma brincadeira de mau gosto! Tudo bem que a manutenção das edificações em geral (e isso inclui sua pintura periódica) tem que ser feita, mas classificar como importante para o projeto de (re)Vitalização do Centro? Ora, façam-me o favor! E novamente me cito: "desde sempre, os prefeitos de Vitória acreditavam que um projeto de ´retomada` do Centro significava maquiar as fachadas com uma pintura de segunda que após a primeira chuva já mostrava sua fragilidade".

As obras mais importantes e fundamentais (e que gerariam maior impacto visual) são a implantação das redes elétrica e telefônica subterrâneas e a regulamentação da publicidade privada e da sinalização pública (que, aliás, constam no projeto da Prefeitura). É claro que existem outras mais complexas e de maior alcance como, por exemplo, a recuperação dos espaços públicos, os incentivos fiscais e as parcerias público-privadas.

Acredito que a escolha da "maquiagem" foi de ordem política (dessa política pequena, propagandística, de marqueteiros) ou por questão de tempo (foi a obra de mais fácil execução a curto prazo). Sendo uma ou outra, começamos com o pé esquerdo. Veremos como as coisas se ajeitam ao longo do processo.

Saiba mais!

Clique aqui e confira a coluna "Tombem a poeira! - ou A Paródia do Patrimônio ´Histérico`"

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E-mails para o colunista: acolunadoarquiteto@hotmail.com


 

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