| |
Foto: Carlito Medeiros
|
|
|
|
A tentativa de reforma do Museu do Negro ou da implementação de um centro de referência para a cultura negra se encontra num impasse. A matéria de Século Diário no último final de semana mostrou um pouco dos dois lados: a voz do movimento negro e a da Secult-ES. Desta vez, quem aponta contradições é o historiador Maciel de Aguiar.
Na avaliação de Aguiar a luta dos dois lados ainda parece fora de foco. Para ele, há uma questão que parece muito mais séria do que tudo isso: o cumprimento da Lei n.º 10639, que estabelece a obrigatoriedade do estudo da África e da escravidão negra no Brasil.
O Espírito Santo parece o único a não cumpri-la no País, o que talvez faça coro com o que o coordenador do Museu do Negro, no Centro de Vitória, Washington Anjos, observou, quando disse que o Estado é o mais racista do Brasil. E, por outro lado, a coordenadora de Memória, Patrimônio Cultural e Natural da Secult, Alcione Dias, afirmou que a tentativa é a de fazer um mapeamento em todo o Estado sobre a situação do movimento negro.
Mas, para o historiador, a polêmica está sem direção. "Se o Espírito Santo não cumpre uma lei fundamental, como é que vai cuidar de um museu?", questionou Maciel. Ele explicou que a lei, de autoria da deputada federal Ester Grossi (PT-RS), foi aprovada e conhecida como o primeiro ato do presidente Lula, quando eleito. No Estado do Espírito Santo, nem mesmo as prefeituras do PT parecem cumprir a lei ou até mesmo discuti-la em sala de aula.
Refletir a realidade
O curioso é que o senador Gerson Camata (PMDB-ES) é o presidente da Comissão de Educação. Para o historiador, este também é um fato grave, dentro do tema abordado, tanto pelo movimento negro quanto pela Secult. A necessidade que parece mais urgente, então, é a do cumprimento da lei, criando uma consciência pedagógica que dará mais força ao movimento.
A preocupação é que as escolas reflitam a "verdade histórica". "Se não há políticas públicas avançadas que possam refletir a realidade, o Estado está absolutamente omisso com relação à escravidão negra. Sempre coroou as famílias escravocratas, que viveram do comércio de gente", afirmou.
Com a lei estabelecida, a consciência pedagógica passará por vários momentos e movimentos na história da resistência negra no Estado, incluindo os quilombolas. "Tudo isso só terá validade se refletir a versão mais próxima da realidade. Se seguir o que pensa a elite historiográfica do Espírito Santo, tem duas chances: não dar certo ou contar que a escravidão foi um bom negócio para o negro", disse o historiador.
Saiba mais!
Clique aqui e acesse a matéria "Museu do Negro: impasse ou resistência?"
|