O jornal A Gazeta, que sofreu a censura do grampo da Secretaria de Segurança do Estado (Sesp) sobre seus repórteres, reagiu bem ao episódio nesta terça-feira (14). O seu diretor, Café Lindenberg, disse com todas as letras que o seu jornal não está convencido de que o grampo foi resultado de falha humana de um funcionário da Vivo.
Exigiu, também, respostas para várias situações, que, segundo ele, continuam no ar. Entre elas, o motivo da operadora ter enviado informações de que o telefone do jornal estava grampeado, e a delegada responsável pelo caso, Fabiana Maioral, ser informada somente um mês depois.
O jornal indaga mais: por que a delegada não alertou, como deveria, o Tribunal de Justiça? Por que a pressa em incinerar os CDs ? E por que o Tribunal de Justiça não seguiu a previsão da lei de interceptações, avisando à Vivo e destruindo o material?
No caso de má-fé, A Gazeta quer saber de quem era o interesse no grampo, algo que não foi sequer esclarecido pelo delegado Joel Lírio Filho, que apurou o caso. Inquérito que não honra a qualidade ética da Polícia Civil capixaba.
O jornal também quer saber para onde foi o relatório de auditoria no sistema Guardião, referente ao primeiro período de escuta. Por fim, por que razões só agora surgem cinco CDs. CDs esses que eram completamente desconhecidos?
Despertou-se, agora, quem deveria ter se despertado há algum tempo. O governo tem que dar as devidas respostas à A Gazeta, sobretudo por se encontrar à frente do Estado um político que esteve empenhado na redemocratização do país, e não pode permitir que um episódio que atinge a democracia no que ela tem de mais importante, que é a liberdade individual, fique impune.
Episódio que aterroriza o capixaba, que já vive assustado com a segurança no Estado. E o grampo, coincidentemente, está neste setor de segurança do governo. Não poderia estar em outro. Quem sabe se os seus reais responsáveis fossem punidos, contribuiria para uma melhor qualidade na área?
O despertar de A Gazeta é um momento importante para as liberdades individuais, pois, como bem disse, noutra oportunidade, o escritor Eduardo Galeano, "dos medos nascem as coragens e das dúvidas, as certezas".
Que todos nós percamos o medo, nos tomemos de coragem e passemos a exigir coragem também do governo para apontar os reais responsáveis por um crime hediondo às liberdades individuais.
|