Amarrando o PT





Rogério Medeiros

O deputado federal e presidente regional do PSB, candidatíssimo ao Senado, Renato Casagrande, está no meio da reeleição do governador Paulo Hartung e a candidatura petista de Cláudio Vereza ao governo do Estado. O seu desejo é montar uma chapa com Paulo Hartung para o governo, ele para o Senado, e Vereza para vice-governador.

As chances de concretizar o desejo de Renato depende tão somente do governador Paulo Hartung apoiar a candidatura de Lula à presidência da República que vai, na verdade, depender do PMDB coligar na esfera nacional com o PT. Casagrande joga com a certeza de que para o PT local, a reeleição de Lula suplanta os desejos regionais de fazer Vereza candidato ao governo.

Há também que se analisar a ajuda do próprio Lula a candidatos majoritários no Estado. A pesquisa Enquet-ATribuna mostra Lula como vencedor das eleições para presidência da República no Espírito Santo. Tudo a favor dessa aliança PMDB, PT e PSB na majoritária no Estado.

Enquanto não há definição nacional, Vereza vai caminhando com a sua candidatura ao governo do Estado, já que não há outro caminho, com exceção do vice, para disputar. Para deputado federal ele não pode disputar, pois o gás eleitoral do PT só dá para eleger um deputado federal, Iriny Lopes. Não dá para recuar e eleger-se deputado estadual. A chapa já está montada com valores em ascensão. Ou ele é governador ou vice.

Mas enquanto não se define a chapa majoritária de Casagrande, o governador Paulo Hartung prossegue fazendo carinhos políticos aos prefeitos petistas. Acaba de destinar R$ 2 milhões da Funasa ao prefeito de Cariacica, Helder Salomão.

Insistir com a candidatura de PH à reeleição é uma jogada de mestre de Casagrande. Limpa a área para 2010, quando o próprio Casagrande é candidato ao governo (estaria no meio do mandato de senador, sem risco de ficar sem), e mataria um provável e perigoso competidor, Sérgio Vidigal, que seria derrotado nas eleições e ficaria por conta de disputar o governo com Coser.

Como diria, o filósofo político Vicente Silveira, esse menino, o Casagrande, é oriundo de algum serpentário.

Fragmentos
1 - Reação do vereador Luciano Rezende, do PPS, aos que julgam a sua candidatura a deputado federal como capaz de atrapalhar a eleição do ex-aliado e prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas: "Nesse caso aí o marisco sou eu".

2 - Ele diz que sua candidatura atende às necessidades do PPS de lutar pela renovação da Câmara dos Deputados e atingir o percentual necessário a soltar o obstáculo da cláusula da barreira dos 5% para os partidos sobreviverem. Não está também totalmente claro para ele que a queda da verticalização se manterá. E o seu partido tem candidato à presidência da República.

3 -Luciano acha que oito anos de prefeitura de Vitória fizeram de Luiz Paulo (PSDB) um fortíssimo candidato a deputado federal. "O recall dele é maior do que o meu, mas também tenho certeza de que as caras novas, na atual conjuntura do país, terão os seus espaços". Evidente que ele é uma cara mais que nova entre os que vão disputar a Câmara dos Deputados no Estado.