O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anuncia que sua carteira total de investimentos para o setor de produção de celulose, incluindo naturalmente o plantio de eucalipto, chega a R$ 17,5 bilhões até 2010. Assim o banco dá prova de que é, na verdade, anti-social.
Anti-social por inúmeras razões. Uma delas: os plantios de eucalipto geram poucos empregos. São necessários 30 hectares de plantios com a monocultura para geração de um emprego. Na agricultura a média é de um posto de trabalho e de geração de renda por hectare.
Os financiamentos em grande escala para as multinacionais e grandes empresas do país do setor de celulose já tiraram milhares, se não milhões, de trabalhadores do campo. E, com os recursos anunciados, milhões de camponeses deixarão suas atividades. Além de deixar de produzir comida, vão engrossar o exército de desempregados nos bolsões de miséria e violência nas periferias das cidades.
No Espírito Santo, a eucalpitocultura da Aracruz Celulose tomou terras dos quilombolas, dos índios e dos pequenos produtores rurais. Milhares de hectares de terras que poderiam estar produzindo alimentos hoje se destinam a produzir a matéria prima da celulose, vendida para ser processada no exterior e transformada em papel higiênico.
As empresas e o governo federal estão empenhados em ampliar os plantios de eucalipto, principalmente, mas também do pinus e umas outras poucas espécies exóticas, de 5 milhões para 11 milhões de hectares no Brasil.
As monoculturas são essencialmente degradadoras. Vale tanto para a cana-de-açúcar, como para os cafezais, para as pastagens. Mas são particularmente degradadoras quando se trata de espécies exóticas, como o eucalipto e pinus.
Desta forma, o governo federal não está financiando só a destruição de empregos, mas também promovendo a destruição da qualidade de vida.
Lamentável o destino de recursos tirados do bolso do trabalhador, como é o caso do FAT, para favorecer empresas de grande porte, inclusive multinacionais.
Necessária a mobilização nacional das forças sociais capazes de dizer um basta à aplicações de recursos em áreas tão nefastas ao País como as monoculturas, gostem ou não os governos federal, estadual e municipal aliados das grandes empresas.
Com a palavra forças sociais como as dos trabalhadores do campo, MPA e Fetaes, da CUT, dos intelectuais, e até dos político não vendidos às causas anti-nacionais.
A hora é de ação contra as monoculturas deletérias!
|