Vitória (ES), edição de 15 de fevereiro de 2006
 
Capixabas comemoram aprovação da
lei que protege mata atlântica


Ubervalter Coimbra

A aprovação pelo Senado do Projeto de Lei da Mata Atlântica (107/03) na noite desta terça-feira (14) foi comemorada por capixabas. O cientista Sérgio Lucena Mendes, doutor em Ecologia e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), lembrou que os conservacionistas brasileiros lutaram durante anos para aprovar a lei que protege o bioma, um dos mais ameaçados do planeta.

Também a direção da Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente (Acapema), a mais antiga ONG ambiental capixaba, comemorou. "É um passo significativo, muito positivo", afirmou um dos diretores.

A não divulgação do texto aprovado até a manhã desta quarta-feira (15) foi considerada um complicador para uma análise mais aprofundada, pois as implicações das emendas aprovadas não puderam ser avaliadas. Por estas emendas o projeto terá que ser enviado à Câmara dos Deputados.

A Fundação SOS Mata Atlântica, que coordenou as ações políticas pela aprovação do projeto, divulgou em seu site que embora o Projeto de Lei da Mata Atlântica (107/03) tenha que voltar para a Câmara por causa das emendas incluídas, "esta aprovação é considerada uma grande vitória pelo movimento ambientalista".

E que "o projeto está em tramitação há 13 anos e dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica". Cerca de 93% da Mata Atlântica já foi devastada, por isso este bioma onde vivem 110 milhões de brasileiros (incluindo grandes cidades como São Paulo e Rio de
Janeiro) é ao mesmo tempo um dos mais ricos em biodiversidade e um dos mais ameaçados do mundo".

O cientista Sérgio Lucena Mendes, também diretor do Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica (Ipema), considera que, com a aprovação do Projeto, pendências judiciais serão resolvidas com maior rapidez. Para ele é fundamental ainda o desenvolvimento de trabalho educativo, considerando a importância da mata atlântica para país.

   
Veja texto do Senado sobre o projeto

A Agência Senado divulgou o seguinte texto sobre o assunto: "O Plenário do Senado aprovou na noite desta terça-feira (14) o projeto de lei da Câmara dos Deputados (PLC) 107/03, que cria novas regras para a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica. Como a matéria sofreu emendas, uma das quais referente ao sistema de indenização em caso de desapropriação, a matéria retornará à Câmara.

O projeto que veio daquela Casa previa indenização, caso a lei prejudicasse os ocupantes de área com "potencial econômico", conceito considerado muito amplo. Segundo o relator da matéria, senador César Borges (PFL-BA) e o líder do governo, senador Aloízio Mercadante (PT-SP), essa possibilidade poderia gerar uma "indústria de indenizações". Borges, que passou cerca de um ano costurando um acordo, conseguiu do governo a promessa de não vetar a matéria caso a indenização fosse estabelecida com diversas restrições, mas sem desrespeito aos direitos legais dos ocupantes dessas terras.

Por 28 votos a 22, foi rejeitada emenda apresentada em Plenário pelo senador Leonel Pavan (PSDB-SC) que tentava garantir direitos de indenização prévia a ocupantes de terras com "capacidade de uso ou produtividade afetadas".

O texto original, de autoria do ex-deputado Fábio Feldmann, apresentado em 1992, cria o Fundo de Restauração do Bioma Mata Atlântica, destinado ao financiamento de projetos de restauração ambiental e de pesquisa científica. Prevê ainda, entre outras medidas, programa de crédito destinado ao proprietário ou posseiro que tenha vegetação primária (original) ou secundária (modificada) em estágio avançado e médio de regeneração, e estabelece o regime de proteção da região.

De acordo com César Borges, a proposta prevê, em áreas urbanas e regiões metropolitanas, a supressão da vegetação secundária, sob certas condições, para fins de loteamento e edificação, levando em conta atividades consideradas de interesse social. São atividades de interesse social as consideradas imprescindíveis para a proteção da integridade da vegetação nativa, tais como: prevenção, combate e controle do fogo, controle da erosão, erradicação de invasoras e proteção de plantios com espécies nativas, conforme resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). São também consideradas de interesse social as atividades de manejo agroflorestal sustentável praticadas na pequena propriedade ou posse rural familiar, bem como as demais obras, planos, atividades ou projetos definidos em resolução do Conama.

Já a supressão de vegetação primária do Bioma Mata Atlântica para fins de loteamento ou edificação nas regiões metropolitanas e áreas urbanas fica proibida. Quanto à vegetação secundária, algumas restrições são estabelecidas no projeto.

Embora reduzida a menos de 10% de sua cobertura original, a região é ainda uma das mais ricas florestas tropicais do mundo em termos de biodiversidade, com mais de dez mil espécies vegetais e um grande número de espécies de fauna, caracterizadas por altos níveis de endemismo.

A Mata Atlântica corresponde a uma estreita faixa de florestas ao longo da costa leste do país, estendendo-se do Ceará e Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. A área original de Mata Atlântica é estimada em 1,1 milhão de quilômetros quadrados, o que corresponde a um terço da floresta Amazônica brasileira ou a 12% do território nacional". O texto é assinado por Nelson Oliveira, repórter da agência.

   


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